Enquanto os reservatórios de água de Vila Franca de Xira, onde começaram os casos de infecção de legionella, foram desinfectados e foi feita a cloragem da água de abastecimento das áreas onde surgiram mais casos de contaminação, o número de pessoas afectadas pela bactéria "não deve andar longe" dos 120, segundo desse o diretor geral de Saúde, Francisco George, à Lusa. Aos meios de comunicação social, o responsável admitiu que este surto é pouco habitual, dada "a magnitude e gravidade". Já o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) afirmou existir a possibilidade de mais casos de infecção. "Pode haver mais casos, sim", confirmou à agência Lusa Mário Durval, explicando que a fonte da infecção poderá ser um espaço público de Vila Franca de Xira. Por estes motivos, o Ministério da Saúde accionou um plano de contingência para lidar com o caso.

16 pessoas nos cuidados intensivos

O número de casos poderá ter ultrapassado uma centena, mas são 16 as pessoas que estão numa situação mais grave que requer tratamentos intensivos. A maioria dos doentes estará no Hospital de Vila Franca de Xira e os restantes estão a receber atenção noutros hospitais da Grande Lisboa. No sábado, a contaminação provocou um morto, um homem de 59 anos já com problemas respiratórios.

O site da Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que a doença atinge principalmente adultos entre os 40 e 70 anos do sexo masculino. A probabilidade de a contrair é maior nos fumadores e pessoas com doenças respiratórias crónicas e renais, e imunodeficiência em geral. A legionella causa uma pneumonia grave, mas o tratamento é possível, garante a DGS. Todos os anos existem sazonalmente cerca de 100 casos de infecção pela bactéria que causa a Doença dos Legionários, com sintomas que começam com febre alta, dores musculares, arrepios e dores de cabeça.

O presidente da ANMSP explicou à Lusa que a legionella "fica normalmente em águas mais paradas, nas caldeiras, nas zonas em que a água não é renovada ou, então, quando há sistemas de ar condicionado que arrefecem por água. A água está ali estagnada e fica a uma temperatura ideal para o desenvolvimento da bactéria". Mário Durval refere ainda a necessidade de se fazer um "inquérito epidemiológico" para "localizar a origem" dos casos de infecção, para depois se proceder a análises à água do local. Recorde-se que a contaminação ocorre por via aérea (respiratória), pela inalação ou aspiração de gotículas de água contaminada.

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