Há cada vez mais estudos que comprovam os benefícios do cacau para o corpo humano. A juntar a isso temos o crescente número de fãs do seu sabor. Estamos perante um caso em que há mais vontade e consumo do que produção. O alerta foi dado pelas empresas Mars Inc e Barry Callebaut, que adiantam que a produção de chocolate está a caminhar para os níveis mais negativos dos últimos 50 anos. Em 2013, por exemplo, foram consumidas mais 70 mil toneladas do que as que foram produzidas e as previsões apontam para que em 2013, o défice seja de dois milhões de toneladas.

Só em Portugal, estima-se que o consumo de chocolate seja de 1,9 quilos por pessoa por ano. Na China, a procura está a crescer e representa 5% da média de consumo da Europa Ocidental. Além disso, a procura por percentagens maiores de cacau (sendo 70% de teor mínimo a preferência) agrava o problema.

O tempo seco e as doenças que atacam as plantações, especialmente a Monilíase, têm tornado difícil a vida dos agricultores da Costa do Marfim e do Gana, que produzem cerca de 70% do cacau consumido mundialmente. O resultado é uma redução de 30 a 40% da produção e um aumento de 24% do preço do cacau desde o início do ano de 2014, segundo a Organização Internacional do Cacau.

Um futuro mais negro que o cacau puro

O aquecimento global poderá agravar a diminuição da produção de cacau. Se até 2050, as estimativas de aumento de 15 graus Celsius apontadas por especialistas se concretizarem, é possível que o cacau se torne um produto raro. Por outro lado, é possível que estejamos perante um caso de "mais olhos que barriga": embora não haja consenso sobre a quantidade ideal de chocolate que podemos consumir diariamente, o facto de os nutricionistas apontarem o chocolate negro com cerca de 70% de teor de cacau como ideal, tem inevitavelmente aumentado a procura e talvez o consumo.

Pegando na célebre frase do filme Forrest Gump, "a vida é como uma caixa de chocolates" neste momento, porque não sabemos que sabor nos vai calhar. Isto porque a resposta para saciar a procura pelo chocolate por parte dos cientistas é a criação de uma árvore geneticamente modificada (patenteada com o nome CCN51) que resiste às doenças e produz sete vezes mais grãos de cacau do que uma árvore normal. O sabor, contudo, poderá alterar-se com este novo processo.