O PS e o PSD repõem as subvenções vitalícias para políticos que sejam acima de 2000 euros. Durante 2014, as subvenções vitalícias - conhecidas como "reformas" - de ex-titulares de cargos políticos estiveram cortadas. Contudo, e no âmbito da discussão ao pormenor do Orçamento de Estado 2015, a proposta apresentada pelo Partido Socialista acabou por ser votada, embora o líder parlamentar do PSD preferisse, inicialmente, adiá-la. A mudança provocou, e continua a provocar, muita polémica e indignação nas redes sociais. Contudo, na Assembleia da República o tema quase não foi discutido. Só uma deputada do Bloco de Esquerda tomou a palavra para se mostrar "totalmente contra a reposição" das reformas.

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Note-se, contudo, que o CDS-PP absteve-se, enquanto CDU e Bloco de Esquerda votaram contra a proposta. 

O Diario Económico aponta que a deputada socialista Isabel Moreira defendeu a ideia com base num caso de "justiça constitucional", de forma a tratar de forma igual todos os políticos. Na TVI24, uma deputada não identificada referia que se tratava da mesma situação que poderia ser considerada inconstitucional, como sucedeu com a desigualdade sucedida com as reformas.

O próprio Governo demarcou-se desta situação. Luís Marques Guedes, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, também em declarações captadas pela TVI24, referiu que a discussão do Orçamento de Estado é feita pela Assembleia da República. 

Contudo, o Bloco de Esquerda ainda não desistiu e vai pedir a "avocação para plenário", segundo o Expresso. Significa que a proposta, que havia sido votada apenas pela comissão parlamentar do orçamento, poderá vir a ser votada por todos os deputados. Aparentemente, muitos deputados do PSD e do PS estarão contra a proposta.


A indignação nas redes sociais é tão intensa e majoritária como o voto dos dois maiores partidos a favor da proposta. Desde o simples insulto ("ladrões", "gatunos", vigaristas"), a declarações inflamadas ("desde o 25 de Abril sempre votei PS, nunca mais voto neles"), até indignação em boa prosa ("é o cúmulo da indecência e o ponto mais baixo da democracia portuguesa"), de tudo se pôde encontrar no Facebook e nas caixas de comentários dos portais online. Um comentador, que se assumia como de direita, referia mesmo que "eles estão a brincar com o fogo. É como se não visse o Siriza (sic) na Grécia, o Grilo (sic) na Itália e o Podemos em Espanha. Devem achar que falta muito para termos algo do género."