As conclusões da auditoria efectuada pela  Pricewaterhouse Coopers (PWC) revelam que, antes de deixar a liderança do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado e a sua equipa procederam à transferência  de centenas de milhões de euros através de quatro sociedades offshore sediadas nas ilhas britânicas do canal da Mancha.
A auditoria da PWC, que ficará concluída na Sexta Feira, foi requerida pelo Banco de Portugal para verificar se as medidas que o supervisor ordenou com o objectivo de separar BES das restantes empresas do grupo tinham sido cumpridas.
A auditoria concluiu que tais transferências foram feitas ao longo das últimas semanas em que os membros do conselho de administração do BES desempenharam essas funções e quando o Banco de Portugal já tinha tomado a decisão de os afastar da gestão do banco.
As offshore foram usadas para pagar muitos milhões de euros a beneficiários desconhecidos, embora se suspeite que as transferências tenham sido feitas para beneficiar membros da família Espírito Santo  e entidades afectas ao BES.
Para apurar estas suspeitas, será realizada uma investigação através da cooperação entre os órgãos de supervisão portugueses e dos países envolvidos.
Se se confirmar que as transferências beneficiaram menbros da família, está-se perante uma violação das regras de gestão das entidades bancárias, com consequências criminais para toda a antiga administração do BES e não apenas para Ricardo Salgado.
Terá assim havido  o óbvio favorecimento de alguns accionistas e clientes do banco, em detrimento de outros.
A prática efectuada descapitalizou ainda mais o banco e aumentou o buraco do BES em mais de mil milhões de euros, agravando o risco de insolvência.

Em Setembro, o Banco de Portugal apresentou a primeira queixa-crime contra a antiga gestão do BES, por suspeitas de burla, infidelidade e falsificação de documentos, nomeadamente a nível da contabilidade de companhias do grupo, que terá sido manipulada.

Já em Agosto o Banco de Portugal tomou o controlo do BES e procedeu à divisão das instituição em duas entidades distintas. #Negócios #Bancos