José Sócrates já está no estabelecimento prisional de Évora, agurdando a investigação à operação Marquês pelo Ministério Público. A partir deste ponto, nada mais há de relevante a acrescentar, em termos de informação, em torno do ex-primeiro-ministro. Os próximos pontos centram-se em torno do desenvolvimento da investigação, e da reacção do advogado de Sócrates à aplicação da medida. Contudo, os meios de comunicação social continuam a focar-se em José Sócrates, pelo que a qualidade da informação prestada está a descer vertiginosamente, transformando um caso de justiça e político num arremedo de reality-show.

Durante o dia de ontem, os canais de notícias das três televisões multiplicaram-se em directos à porta do Estabelecimento Prisional de Évora, onde nada tinham para fazer que não mostrar o edifício e acompanhar as figuras públicas que chegavam para visitar o antigo primeiro-ministro.

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Mário Soares foi uma delas, e um dos jornalistas não conseguiu formular uma questão melhor do que "Mário Soares, como chegou até aqui?" Contudo, o antigo presidente da República não lhe respondeu "obviamente, de automóvel", como seria de esperar.

Nos jornais, as condições de permanência de Sócrates foram analisadas ao pormenor. Sabe-se que o ex-primeiro-ministro está na cela ao lado do cabo Costa, o famoso "serial killer de Santa Comba Dão", que a sua cela tem um pátio privativo, e até que está sem acesso a banho quente, por avaria no cilindro.


O Blasting News falou com Mariana Rosado, licenciada em Comunicação Social, tendo sido questionada sobre os as razões deste fenómeno. Rosado respondeu que "há uma percepção crescente, nas redacções dos jornais e telejornais e em quem decide sobre os conteúdos de #Televisão, que o público quer espectáculo e entretenimento." Ao longo dos anos, de acordo com Mariana Rosado, "o entretenimento vem tomando cada vez mais espaço, o que vai embrutecendo o próprio público. Há 20 anos havia ainda algum pudor, as pessoas podiam preferir o entretenimento à informação mas reconheciam o valor e a importância da informação. Hoje, parece haver um desprezo maior e mais alargado por 'coisas complicadas'". Mariana acrescenta que "chamaram regabofe mediático e cabala política à cobertura da imprensa sobre a detenção de Sócrates, quando na verdade era muito mais simples que isso: um simples reality-show, no qual participamos todos porque foi o primeiro-ministro do nosso país."