Miguel Macedo, numa declaração à imprensa pelas 19:30 de ontem, anunciou a sua demissão do cargo de ministro da Administração Interna, informando que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho já havia aceite o seu pedido. O ministro explicou que sai por ter visto a sua "autoridade política diminuída" em função do caso dos "vistos gold", e que sente não ter condições para continuar. Macedo deixa claro que não tem qualquer envolvimento com o caso, que já resultou na acusação de dois crimes de corrupção passiva para o director do SEF. O ex-ministro agradece ainda a Passos Coelho todo o apoio que sempre lhe deu.

Não estando envolvido pessoalmente na acusação do caso, Miguel Macedo está politicamente muito ligado ao mesmo.

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Não só enquanto responsável político pela recondução do director do SEF, mas também por ser sócio, num escritório de advogados, de Albertina Gonçalves, arguida no processo.

Em declarações ao Blasting News, o cidadão António Sousa havia comentado no Sábado estar impressionado com "o silêncio do ministro Macedo. Com o director do SEF e restantes pessoas envolvidas à sua volta, é como se lhe estivessem a passar balas a rasar a testa, mas está a safar-se." Sousa não deixou de referir também que "não sei se leva muito mais tempo a dizer qualquer coisa."

As reacções dos partidos são padronizadas, com o PSD a elogiar a "dignidade de Miguel Macedo" e o PS a referir que o ministro teve a lucidez que outros ministros não tiveram, como os da Justiça (Citius) e da Educação (colocação de professores) e a falar de forma vaga em eleições antecipadas.

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O PCP exigiu eleições antecipadas de forma mais concreta, reclamando a demissão de Passos por parte do Presidente da República, enquanto o Bloco de Esquerda falou também nos ministros da Justiça e da Educação e pediu o fim dos vistos gold. O CDS-PP lamentou a saída de Macedo e elogiou a sua prestação, "atento ao estatuto " das forças de segurança e por ter "reduzido os índices de criminalidade". #Governo

Instado pela Lusa a responder sobre a substituição de Macedo, o gabinete de Pedro Passos Coelho devolveu a resposta óbvia: o MAI será substituído logo que possível, presumivelmente porque Passos não tinha um vice-ministro preparado quando a PJ deteve os suspeitos.