O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, está hoje no parlamento para responder aos deputados sobre o caso dos vistos gold. A sua presença foi pedida pelo PCP, que pretende, segundo o Expresso, "perceber se o ministro fez os possíveis para evitar casos como este", uma vez que, e segundo os comunistas, o programa vistos gold "favorece o branqueamento de capitais." Portas foi o motivador político do programa - o "ideólogo", nos termos do PCP - e daí o interesse na sua presença na Assembleia da República.

Os efeitos económicos e morais dos vistos Gold têm sido palco de debate nos média desde a detenção dos arguidos. Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), defendeu a medida enquanto vital para a reanimação do sector, que se debate com dificuldades desde o "crash" de 2008.

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Lima reconheceu o problema da corrupção mas defendeu ser necessário "corrigir o que está mal" sem liquidar a ideia dos vistos gold.

Já Bruno Faria Lopes, num artigo de opinião no Diário Económico, aponta dois defeitos de base ao programa. Primeiro, a sua eficácia económica não está comprovada, uma vez que a maior parte do investimento que chegou por esta via foi mesmo em imobiliário. No entender de Faria Lopes, este não é um sector estratégico ou que "deve ser privilegiado no pós-troika", pois nem se reflectiu em construção nova nem em grandes ganhos fiscais, pois os investidores não se demoram por cá. O problema é comum a outros países, como Espanha, Grécia e Letónia, com programas similiares. Segundo, o problema moral e de reputação, de "vender" a cidadania. Lopes aponta o caso de Malta, que mereceu a reprovação da União Europeia por ser demasiado permissivo (praticamente bastava apresentar dinheiro vivo para obter o visto).

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Isto, além dos riscos de corrupção ou de atribuição de vistos à criminalidade organizada.

Finalmente, a blogger Sónia Morais Santos, autora do blogue Cocó na Fralda e residente no Parque das Nações (Lisboa), já reportava (há alguns meses) os efeitos dos vistos gold no mercado. A "cocó" (assim designada pelos leitores do blogue) reportava a "febre" dos compradores de casa chineses; o facto de vários vizinhos seus estarem a fazer grandes negócios, vendendo as suas casas inflaccionadas e mudando-se para outros pontos da cidade; a ponderação de fazer o mesmo, pois podia ser o negócio de uma vida; e a presença de outdoors imobiliários, exclusivamente escritos em chinês, na zona do Parque das Nações.