O Bloco de Esquerda resolveu este Domingo o impasse em que se encontrava desde o empate na votação para a direcção, na Convenção do passado fim-de-semana. A solução encontrada pode considerar-se inovadora ao nível do sistema partidário português, uma vez que consiste numa Comissão Permanente da qual fazem parte 6 individualidades. A ideia reune representantes das várias sensibilidades ou moções que se apresentaram, com João Semedo ausente e Catarina Martins designada como Porta-Voz. Alguns comentadores e alguma imprensa (como foi o caso do Observador) desvalorizaram o formato, referindo que "Catarina se mantém na liderança e João Semedo saiu."


A Mesa Nacional do Bloco esteve reunida este fim-de-semana para encontrar uma solução directiva. De acordo com o portal Esquerda, a Comissão Permanente inclui 2 membros das duas moções mais votadas (moções U e E) e 1 membro das duas moções menos votadas (moções R e B). Esta organização foi aprovada por mais de 90% dos votos da Mesa Nacional.  Os membros da Comissão Permanente são Catarina Martins (porta-voz nacional), Adelino Fortunato, Joana Mortágua, Nuno Moniz, Pedro Filipe Soares (cuja moção havia ficado empatada com a de Martins e Semedo) e 
Pedro Soares.


Catarina Martins explicou depois que o formato encontrado pretende espelhar o que foi a votação na Convenção, pretendendo um partido diverso na sua origem e respeitando essa mesma diversidade. A agora Porta-Voz deixou um agradecimento a João Semedo pelo desempenho à frente do partido - sendo que Semedo vai continuar no Parlamento - e enalteceu o trabalho dos autarcas do partido, da eurodeputada Marisa Matias e dos militantes ou 'activistas' do Bloco, espalhados por todo o país. No final, Catarina Martins virou os seus argumentos contra António Costa e o PS, rebatendo a acusação do líder socialista aos partidos de esquerda que "só querem protestar e não pretendem contribuir para a solução." Martins respondeu com a posição de "meias-tintas" do Partido Socialista, deixando explícita a acusação aos socialistas de estarem comprometidos com as políticas de austeridade. Combater a dívida (presumivelmente pedindo uma renegociação ou um perdão), recusar a "chantagem da União Europeia", aumentar salários pensões e ao mesmo tempo acabar com "o roubo dos impostos" e o os privilégios dos grupos económicos foram as ideias sintetizadas por Catarina Martins. A Porta-Voz terminou por lembrar que o Bloco de Esquerda saiu "mais forte e unido" depois da Convenção e da votação para a nova liderança e que os portugueses "podem contar com o Bloco de Esquerda" para derrota a austeridade. De notar que João Semedo não esteve presente na conferência de imprensa de encerramento da reunião da Mesa Nacional.