Assinalou-se ontem, 1 de Dezembro, o Dia Mundial da Luta Contra a SIDA. O ministro da Saúde esteve presente numa palestra dedicada ao tema, no Congresso "VIH, Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica." Paulo Macedo lembrou que o cenário de controlo da SIDA em Portugal, sendo ainda negativo, poderia ser bastante pior. O Congresso realiza-se na Universidade Católica e decorre até amanhã.


O ministro afirmou que seria de esperar uma "diminuição menos significativa" no surgimento de novos casos, que continua acima da média europeia, mas que tem evoluído de forma positiva. Dado o cenário de crise financeira, o ministro considerou positiva a evolução, não tendo, contudo, avançado com números. Macedo elogiou também, de forma implícita, a acção dos diversos governos que o antecederam, ao lembrar o "investimento muito significativo nos últimos 20 anos" feito especificamente no controlo da doença.


Paulo Macedo deixou ainda uma preocupação sobre a falta de informação e esclarecimento sobre a doença. A maior parte dos novos casos surge em pessoas com comportamentos heterossexuais e em faixas etárias muito jovens (17-18 anos), onde já não seriam de esperar devido às sucessivas campanhas de informação. Além do fracasso parcial do sistema educativo, parte deste fenómeno poderá explicar-se também pela menor sensação de pânico e alarme social relativamente à SIDA, que estes "novos pacientes" já não viveram, pois nasceram depois do pico dessa situação. O ministro recordou precisamente que as pessoas já olham para a doença como crónica e não como mortal. 


Referiu também uma nova norma que permitirá a integração do teste à infecção HIV/SIDA nos exames de rotina do médico de família, salvaguardando sempre a decisão do doente. O objectivo é apostar no diagnóstico precoce de modo a facilitar o tratamento e prevenir o contágio. A SIDA infectou cerca de 47000 pessoas no nosso país desde 1985, tendo sido diagnosticados 1093 novos casos em 2013, de acordo com o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge. A taxa é, portanto, de cerca de 10,5 infecções por 1000 habitantes. E apesar das possibilidades de tratamento e controlo, o HIV foi responsável por 226 mortes o ano passado.