Aviões desaparecidos, demissões, detenções, muita corrupção, outras tantas fraudes, greves e mais greves e uns quantos problemas pessoais. 2014 teve todos os ingredientes para ficar guardado na memória como um ano mau, mas não ficou. Para mim 2014 foi o ano da aprendizagem. Fique com as 7 coisas que aprendi em 2014. Espero que lhe possam ser úteis.

1. A não ter vergonha de quem sou. Até meados de 2014 obriguei-me (e quando não me obriguei, censurei-me por não o fazer) em muitas ocasiões a ser diferente daquilo que era na intimidade. Maquiei-me, vesti roupas justas, furei as orelhas, usei saltos mais vezes do que queria e fui irritantemente séria.

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Hoje saio à rua de calças de ganga, sweatshirt, ténis verdes e mostro o meu lado infantil sempre que me apetece (e não é muito desadequado). Conclusão, sinto-me bem mais confortável e rio-me mais vezes do que as que consigo contar.

2. Agradecer. O "obrigada" sempre foi uma palavra muito presente no meu dia-a-dia. Tão presente que se tornou mecânica e perdeu significado. Em 2014, reaprendi a usar a palavra obrigada. Hoje, obrigada serve para agradecer aquele tempo livre que alguém me dedicou, um projecto novo ou um simples banho de água quente.

3. Que não se pode ter tudo. Actualmente vivo em Lisboa, cidade onde sempre quis viver, com uma das pessoas que mais amo no mundo. Em contrapartida, deixo a minha mãe de lágrima no canto do olho todas as vezes que regresso de uma visita a casa, tenho menos amigos e passo muito tempo sozinha.

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Se eu preferia reunir o meu amor, a minha família e os meus amigos na mesma cidade? Preferia. Mas, na impossibilidade de o fazer, preferi ser feliz com aquilo que tenho. Luto diariamente pelo meu futuro, procuro fazer novos amigos, tento proporcionar bons momentos à minha mãe de cada vez que vou casa e estico o tempo para ver todos os amigos que ficaram para trás.

4. A escolher as minhas batalhas. Viver a dois ensinou-me que há coisas pelas quais não vale apena chatearmo-nos. E isto serve-me no dia-a-dia com o meu companheiro, mas também com amigos ou pessoas com quem me cruzo na rua. Porquê discutir por causa dos ténis que ficaram esquecidos na sala, da amiga que se esqueceu do meu aniversário ou da linha contínua que o condutor do Mercedes amarelo pisou?

5. Que aprendizagem não termina quando deixamos a faculdade. Durante muitos anos o paradigma foi tirar um curso superior, ingressar no mercado de trabalho, na pior das hipóteses ter de trocar uma ou duas vezes de empresa e desempenhar a mesma função, da mesma maneira, o resto da vida.

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Vi isto acontecer aos meus pais, mas o mesmo não está acontecer comigo (connosco). Dei por mim com o mestrado quase concluído, numa área em constante evolução e a ficar para trás. Surgiram novas redes sociais, as que existiam ganharam novas funcionalidades, os algoritmos mudaram uma série de vezes e eu vi-me obrigada a continuar a estudar, e desta vez por conta própria, se não quis perder o comboio.

6. Que procurar emprego é mais do que enviar currículos. Lembro-me perfeitamente de um sábado à tarde em que, de lágrimas nos olhos, me lamentava por não ter uma ocupação; e é entre um lamento e outro que me fazem a pergunta que viria a mudar a minha postura. "Conta-me lá o que estás a fazer para conseguir um emprego?" Eu, tímida, provavelmente já ciente de que não estava a fazer tudo que podia, respondi: "Envio currículos sempre que vejo alguma oportunidade". Do outro lado ouvi um "isso não chega". Desde daí adoptei uma postura mais activa na procura de emprego. Experimentei outros modelos de currículo, inscrevi-me em sites para freelancers, comecei a construir um portfólio e passei a contactar as empresas nas quais gostava de vir a trabalhar e os primeiros frutos já começam aparecer.

7. Que deitar cedo e cedo erguer pode não dar saúde, mas certamente me deixa mais enérgica. 2014 foi o ano em que, depois de muitas horas perdidas, pus algumas regras ao meu descanso. As noites de sono duraram 8 horas e não começam muito depois da meia-noite; as sestas não podem ultrapassar a meia hora.

Faltou-me aprender a ser menos ansiosa com o futuro e aceitar tranquilamente as críticas que recebo. Essas serão certamente duas das minhas resoluções de ano novo. #AnoNovo2016