Caro leitor e fã de #Música, desafio-o a dar uma vista de olhos ao top 20 de álbuns mais vendidos na última semana em Portugal e só depois a ler este artigo. As ilações que podemos tirar são as seguintes: desse top, apenas 2 álbuns são de artistas portugueses. A razão é simples: o povo, em sua grande maioria, é da opinião que apenas os artistas já consagrados e com muitos anos de andamento são bons e merecem a compra. Daí que artistas como Tony Carreira ou Paulo Gonzo, sempre que lançam um álbum, tenham sucesso assegurado, não pela qualidade, pois muitas vezes os álbuns são fracos e o que se pode ouvir são músicas quase copy/paste de álbuns anteriores em termos melódicos apenas com mudanças na letra e novos instrumentos, mas sim pela fama que acumularam ao longo da sua carreira.

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Isto origina a que os novos músicos portugueses tenham hipóteses baixíssimas de sucesso no ramo musical em comparação com o mercado estrangeiro, principalmente em países como os Estados Unidos e Inglaterra que têm lançado vários novos artistas no mercado de forma bem sucedida, e onde estes novos artistas são apoiados por produtores e editoras que os procuram e apostam neles em marketing e publicidade, de modo a começarem em segurança no mundo da música. O contrário se passa em Portugal, os produtores e editoras pretendem apenas jogar pelo seguro e apostar nas velhas glórias ou nas chamadas excepções, que são as figuras públicas procedentes de programas de televisão/concursos de talentos e os filhos destes já afamados cantores consagrados (exemplo do clã Carreira).

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As produtoras sabem que em Portugal ou a cultura muda muito (o que será extremamente difícil) ou simplesmente não serve para vender e render com álbuns de novos artistas que querem vingar no mundo da música, independentemente do talento que o novo músico tenha ou não.

Evidentemente que existem excepções pontuais de um ou outro caso de sucesso que após muito trabalho lá conseguiu a tão almejada oportunidade. Mas é cada vez mais raro e difícil o sonho tornar-se uma realidade. Concluo assim este desabafo, pois como músico amador sinto na pele as dificuldades que existem para chegar a um estúdio ou a uma produtora que me diga "Sim, eu acredito que tens o que é preciso e vamos ajudar-te!".