Em 2008, o mundo abateu sob o ocidente. A falência do banco de investimento Lehman Brothers foi o mote para uma espiral de falências e da implosão dos mercados financeiros. Esta crise advém de uma "economia de casino" praticada pela Wall Street americana, dos subprimes, dos swaps e do crédito fácil. A crise alargou-se ao resto do mundo ocidental, nomeadamente Europa e Japão, e as nações foram obrigadas a toda a austeridade que se seguiu que infelizmente nós conhecemos muito bem.

A resposta a esta crise por parte dos países foi diferente. Os Estados Unidos e o Japão optaram por manter tudo na mesma. Isto é, continuaram a contrair mais divida para pagar a divida existente e a produzir mais dinheiro através da sua reserva federal.

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Esta estratégia de contrair cada vez mais divida foi uma das razões para o aparecimento da crise; lembro apenas que os Estados Unidos têm já uma divida na ordem dos triliões de dólares, detida em grande parte pela China, e só o Estado da Califórnia tem uma divida superior ao Estado Português. O Japão enveredou pelo mesmo caminho; aliás o Japão está prestes a declarar "falência", não só pela crise financeira mas também pela grave crise de natalidade que atravessa.

A Europa por seu turno enveredou por um caminho diferente. Através da Alemanha, que quer queira quer não (pessoalmente acho que não quer) é a líder da Europa e responde por ela. Um país com uma economia daquele nível e que apresenta um PIB daquele valor é a líder da Europa e do Euro. Ora a Alemanha foi por um caminho contrário aos dois países que falei anteriormente, e a meu ver bem, rejeitou a estratégia de contrair cada vez mais divida, apercebendo-se que essa estratégia era só adiar o problema e era pronúncio de crises futuras.

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O que fez em vez disso foi apostar numa política de contenção (austeridade), de inversão de investimento publico e de reformas. O problema foi que o que resulta para a Alemanha não resulta, e não resultou, para os outros países da Europa, têm economias diferentes e as dinâmicas da moeda única sentem-se de maneira diferente em diferentes países. O problema é que a Alemanha só pensa nela, rejeita ser líder europeia e não se preocupa em levantar a Europa como um todo, apenas e só a ela própria. Foi por isto que surgiu o discurso dos trabalhadores do norte da Europa e dos preguiçosos do sul. A Alemanha tem a minha admiração por "bater pé aos Estados Unidos" mas também o meu profundo desagrado pela estratégia ou inexistência dela para a Europa como um todo.

A crise sente-se mais em "países mais fracos" como é normal. Um país como Portugal, fortemente endividado, que pagava as suas contas e investimentos com empréstimos que depois os pagava com novos empréstimos, ficou gravemente afectado.

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Daí a expressão "crise das dívidas soberanas". Portugal não pode continuar nesse sistema que o levou à ruina, tem que apostar na produção interna, tem que apostar num sistema que o permita sustentar-se a si próprio, que a meu ver, tem todas as condições para que isso aconteça. O problema é que vendemos todo o nosso aparelho produtivo quando decidimos entrar para a União Europeia; essa venda foi paga com carregamentos de dinheiro vindos de Bruxelas, os chamados "fundos europeus". O problema, como agora estamos a assistir, é quando a "torneira fecha". Ficámos tão dependentes da Europa economicamente que perdemos a nossa soberania e com ela a nossa liberdade politica. É urgente recuperar essa liberdade!