O treinador da Académica, Paulo Sérgio, resistiu este fim-de-semana a mais um resultado (e uma exibição) que, com muito boa vontade, pode ser considerado um mal menor para a equipa de Coimbra. Em duas jornadas consecutivas, a Briosa defrontou dois adversários directos. Se o empate em Barcelos até nem foi um mau resultado, a divisão de pontos frente ao lanterna vermelha é inaceitável. Principalmente pela forma como a equipa entrou em campo, mais com medo de perder do que com vontade de ganhar. Os "estudantes" vão passar o Natal em lugar de despromoção e eliminados da Taça de Portugal (às mãos do Santa Maria, do Campeonato Nacional de Seniores), enquanto o treinador - e o presidente - assobiam para o ar.

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No final do jogo, o técnico queixou-se da atitude dos adeptos, dizendo que os insultos com que o brindaram não o incomodam mas prejudicam a equipa. Mas a verdade é que Paulo Sérgio não tem razão de queixa. Até ao golo do Penafiel, o público esteve sempre ao lado dos jogadores, apesar da sua fraca prestação (não só no jogo de domingo mas em toda a temporada). Só quando os durienses se adiantaram é que se ouviram os primeiros assobios. E mais não foram do que uma chamada de atenção para a necessidade imperiosa de conquistar os três pontos. Sempre que os atletas demonstraram atitude, a plateia aplaudiu. Mas foi surreal ver a equipa perder intensidade depois de ter chegado ao empate (achariam que era um bom resultado?) e ver o treinador fazer uma substituição perfeitamente inútil aos 89 minutos (para perder tempo?).

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Essa foi a gota de água para que ecoassem nas, cada vez mais despidas de público, bancadas do Estádio Cidade de Coimbra os gritos de "demissão", acompanhados de lenços brancos. Após o final do jogo, um grupo de adeptos esperou por jogadores e dirigentes para lhes dar conta do seu (natural) desagrado com o estado de coisas.

É certo que Paulo Sérgio não tem muitos meios ao seu dispor - como disse o vice-presidente de claque Mancha Negra ao Diário As Beiras, esta é, provavelmente, a pior equipa dos últimos dez anos - mas não é menos certo que o treinador ainda não deu mostras de poder fazer mais do que fez até aqui com este conjunto de jogadores. Sabendo-se as dificuldades financeiras que o clube atravessa, não é de esperar que surjam muitos (e, acima de tudo, bons) reforços em Janeiro, pelo que o desespero dos Academistas é natural: o que é que se pode esperar daqui para a frente? Mais do mesmo? Até aqueles que, no início da época, aplaudiram a contratação do técnico, começam agora a perder a paciência.

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O presidente e, sobretudo, o vice-presidente para o #Futebol, Luís Godinho, que no início da época tiveram um discurso ambicioso, dizendo que seria difícil ganhar à Académica, remeteram-se agora a um silêncio ensurdecedor, apenas quebrado na mais recente Assembleia-Geral, em que José Eduardo Simões fez questão de repetir, com todas as letras, as palavras menos próprias dirigidas por alguns sócios ao treinador, facto que tem sido alvo de chacota nas redes sociais e, até, na rádio pública (como, por exemplo, no programa Linha Avançada, da Antena 3). Até quando?