As maiores empresas tecnológicas do mundo produzem e têm as suas fábricas no continente asiático. Os motivos são muito simples: mão-de-obra barata e falha na defesa dos direitos básicos dos trabalhadores, já que na maior parte dos países, vive-se uma "semi-democracia". Com isto, os "monstros" do mercado lucram cada vez mais e conseguem uma produção massiva dos seus produtos a baixos custos, mas passando por cima do quê e a que preço? Há muito que esta questão se levanta, mas muito pouco se faz. Agora, surgiu mais um caso: A #Apple escraviza os seus trabalhadores, sem dó nem piedade.

Num trabalho de investigação notável e de enorme sacrifício, dois jornalistas da prestigiada BBC infiltraram-se como funcionários na fábrica da Apple na China, para avaliarem as condições de trabalho a que estão sujeitos os milhares de trabalhadores da marca.

Publicidade
Publicidade

A conclusão tirada: vale tudo e não há regras, muito menos sensibilidade pela integridade humana. Os turnos são no mínimo de 12 horas, mas podem chegar às 18 horas, pouco importa se os operários estão a morrer de fome ou mesmo a dormir no seu posto. Pedidos de descanso são automaticamente rejeitados e as horas extras têm de ser obrigatoriamente aceites. A procura incessante pelo lucro passa por cima de tudo o que é aceitável.

A Apple, uma empresa que factura cerca de mil milhões de euros anualmente, tem sido investigada há mais de quatro anos pelas suas práticas. Nos mais variados trabalhos jornalísticos realizados durante esse período de tempo veem-se imagens chocantes e perturbadoras. Em 2012, dois funcionários da fábrica morreram devido ao elevado nível de stress a que estavam submetidos para cumprir os objectivos da marca, mas essa notícia foi rapidamente abafada.

Publicidade

São precisamente nestas fábricas que são produzidos os famosos Ipads e Iphones, que tanta azáfama geram quando lançados, mas, repito, porque preço?

A empresa, em resposta ao lançamento do documentário da BBC, defendeu-se, alegando que "nenhuma outra empresa está a fazer tanto como a Apple para garantir condições de trabalho justas". Um claro discurso de "virgem ofendida", que apenas contentará os menos informados. Num ambiente capitalista que hoje vivemos, deverá ter o dinheiro tanto peso que os direitos e, sobretudo, a nossa integridade é posta de lado? Os produtos até podem ter qualidade e serem bonitos, mas concluo, a que preço?