Chega esta altura do ano e o mundo do #Futebol debate-se, qual campanha eleitoral, sobre quem foi o melhor jogador do mundo no ano civil que agora finda. Assiste-se a um desfile de opiniões de todos os "quadrantes" futebolísticos, todos puxando a brasa à sua sardinha. Confunde-se o que outrora se adivinhava como uma decisão racional à luz dos factos, com interesses confusos e declarações no mínimo pouco éticas. Posto isto, vou tentar, modéstia à parte, dar alguma racionalidade à discussão.

Primeiro ponto: O prémio de melhor jogador do mundo é baseado no que os jogadores profissionais fizeram nos seus clubes e seleções durante os doze meses do ano civil.

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Apesar de ter sido ano de mundial, que é sempre especial e tem uma dimensão cultural assinável, o mundial apenas representa um mês do ano desportivo. Ora estar a atribuir demasiada importância ao que se fez num mês, num universo de doze, acho que é no mínimo exagerado.

Segundo ponto: O prémio de melhor jogador do mundo é um prémio singular, individual, não um prémio colectivo. Eu, ao que me respeita, dou mais valor ao colectivo do que ao individual. Mas não é isso que este prémio almeja reflectir.

Terceiro ponto: Sendo este galardão destinado a premiar o melhor jogador do mundo, individualmente falando, só existem duas personalidades capazes meritoriamente de o alcançar, dois jogadores que estão acima de todos os outros, não só este ano como nos últimos 5 ou 6 anos, falo obviamente de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

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Não existe ninguém que apresente o nível e o rendimento desportivo que ambos apresentam, e a história irá julgar se alguma vez alguém no passado os ultrapassou ou mesmo igualou esse nível. À luz dos records que estes dois batem sistematicamente, desconfio dessa possibilidade. Portanto, a eleição do melhor do mundo prende-se inevitavelmente sobre estes dois magníficos jogadores, levando a decisão para o que cada um deles ganhou nos seus clubes, os golos que marcaram e o rendimento que apresentaram.

Cristiano Ronaldo, que conquistou a Taça do Rei e a Liga dos Campeões, batendo nesta última competição o record de golos numa só edição, ganhando mais uma vez a bota de ouro, referente ao melhor marcador dos campeonatos europeus, e estando agora prestes de conquistar o mundial de clubes, penso sinceramente que é o grande favorito a ganhar e que merece ganhar.

Quanto às declarações de Michel Platini, que já começam a ser habituais nesta altura do ano, revelam uma profunda falta de ética. Uma pessoa com as suas responsabilidades e que está no cargo onde está não pode ter preferências e dar a sua opinião sobre quem acha que deve ganhar. Ele representa a UEFA, instituição europeia de futebol, instituição que representa todos os jogadores de futebol e não só alguns, logo as suas declarações revelam algum desconhecimento sobre a posição que ocupa. E mesmo as suas declarações são infundadas; lembro que Platini disse que um jogador alemão devia ganhar a bola de ouro, porque de forma simplista, foram campeões do mundo. Ora, em 2010, a Espanha foi campeã do mundo e nenhum jogador espanhol ganhou o galardão, mas sim Lionel Messi. E nessa altura, não ouvi nada do alto dignatário da UEFA alegando que um jogador espanhol devesse ganhar. Deve-se apenas indignar com o facto de Cristiano Ronaldo ganhar a Bola de Ouro.