Em 1948, assim como hoje, a implementação e adoção da Declaração Universal do Direitos do Homem é um imperativo e deveria ser uma prioridade para os Estados. Fez ontem precisamente 66 anos que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Após a consciencialização das atrocidades que se fizeram durante a 2ª Guerra Mundial, as nações perceberam a urgência de criar um documento onde estivessem descritos todos os Direitos do Homem, de forma a evitar mais genocídios e atentados contra a vida humana. Contudo, passados mais de 60 anos, essa Declaração continua a ser violada diariamente e a passividade de todos mantém-se.

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Um esboço de John Peters Humphrey

Esboçada por John Peters Humphrey e complementada por vários cidadãos de diversas origens, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, segundo o seu documento oficial, preconiza logo no artigo primeiro que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade." Tendo em conta o que assistimos diariamente nos media, na nossa rua e muitas vezes na nossa família, percebemos que estes Direitos, Igualdade e Liberdade estão longe de serem para todos...

Quantas mulheres são discriminadas diariamente nos trabalhos, em suas casas, sendo ainda vítimas de violência doméstica... Quantas crianças e velhos são abandonados, maltratados e sofrem de violência psicológica e física por parte dos próprios familiares...Quantas pessoas utilizam o seu estatuto profissional ou hierárquico para tirar proveito próprio...

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Quantas pessoas vivem sem conseguirem alimentar-se convenientemente...Quantas crianças são perseguidas e maltratadas pelos próprios colegas nas escolas...Tudo isto acontece à nossa volta e recusamo-nos a denunciar e auxiliar os que mais precisam.

Ontem como hoje...

Tal como há 66 anos, a Declaração Universal dos Direitos do Homem compreende um conjunto de princípios e valores que estão longe de serem cumpridos e aceites por todos. Falta saber até quando e onde isto nos levará. Que o assinalar deste dia seja uma chamada de atenção e reflexão para todos e que a passividade que hoje temos se transforme num ímpeto de intervenção e ação em prol dos que veem os seus direitos basilares suprimidos.