A crise que se estabeleceu no nosso país e na Europa está presente no dia-a-dia. Seja pelo grande número de pessoas que foram forçadas a emigrar por falta de oportunidades, seja pelos jovens que ainda estão no nosso país, desesperados e sem perspectivas de futuro marcados pela chaga do desemprego, ou ainda pelo "roubo" de que foram alvo os pensionistas do nosso país. Cidadãos que trabalharam uma vida inteira, descontando para o Estado e em prol das "gerações futuras", e que agora se vêm privados do que é seu por direito, deixando-os em alguns casos com imensas dificuldades e sem possibilidade de acudir os seus familiares de gerações mais recentes que ainda era com eles que contavam para minimizar uma busca incessante e penosa por algum futuro profissional. 

Esta realidade é contraposta pelo argumento da "estatística".

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A estatística é usada como argumento do #Governo para fazer crer aos cidadãos que o pior da crise já passou e que o país se encontra actualmente em rota ascendente para fora do abismo. Esta "narrativa" baseia-se em dados acerca das exportações, no índice positivo previsto de crescimento para o próximo ano e na descida da taxa de desemprego. Não vejo como a subida das exportações de empresas multinacionais ajudadas por benefícios fiscais por parte do governo ajude a ultrapassar o flagelo porque passa a nossa sociedade. O mesmo digo sobre a fictícia descida da taxa do desemprego mascarado por estágios do IEFP e pela saída de meio milhão de portugueses do nosso país, que em muitos casos fazem parte da geração mais qualificada que alguma vez existiu em Portugal e são agora sujeitos à frustração de um tipo de trabalho para o qual passaram a vida a estudar para o evitar.

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Por fim, e como sou uma pessoa positiva, fico contente que haja uma perspectiva de crescimento para Portugal. Pena é que apenas o governo acredite nela; a OCDE e a União Europeia estão mais pessimistas nessa matéria. Este argumento da estatística e de que tudo está a melhorar revela um profundo desconhecimento da realidade do país por parte dos nossos governantes.