Durante o período da Guerra Fria assistiu-se a uma subalternização do poder marítimo perante os poderes terrestre e aéreo. Os conflitos eram maioritariamente inter-Estados, dando às marinhas uma função dissuasora, quer convencional quer nuclear, e de disputa entre as mesmas pelo meio marítimo para que a vencedora pudesse atacar as forças terrestres. A Guerra Fria foi um período em que apesar das marinhas estarem preparadas para se enfrentar, tal raramente aconteceu. Foi um período em que as duas super potências, EUA e URSS, se enfrentaram principalmente através de proxy wars com forças terrestres.

Com a implosão da URSS assistiu-se à redefinição do sistema internacional, onde os conflitos inter-estaduais, como o da ex-Jugoslávia, mas principalmente no continente africano, como o caso do Ruanda, puseram em causa o poder e legitimidade do Estado.

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A contestação ao poder do Estado veio criar um vazio de poder que foi gradualmente ocupado por redes criminosas, bem como por senhores da guerra, onde o caso da Somália é bem ilustrativo. Ora, estas organizações começaram a utilizar o mar como meio de prossecução e desenvolvimento das suas actividades. Em reacção a este desenrolar de acontecimentos a comunidade internacional, liderada pelos EUA num mundo unipolar, concentrou-se na restauração do poder estadual no meio terrestre, bem como no marítimo.

Com a revolução tecnológica e a consequente globalização, alguns actores reemergiram - como a China, a Índia e o Brasil - afirmando-se como potências regionais com o intuito de se virem a tornar globais. Ao mesmo tempo surgiram novos actores não-estatais que utilizaram, e continuam a utilizar, a religião como motivação para acções agressivas, somando-se a existência de actores estaduais que correm o risco de mergulharem na instabilidade e insegurança, tornando-se Estados falhados.

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Ou seja, correm o risco de se tornarem em grandes focos geradores e exportadores de ameaças, como é o caso da Guiné-Bissau e da Somália.

Somando-se a este facto, existem outras zonas do mundo onde as ameaças à soberania dos Estados são relevantes, como é o caso do estreito de Malaca, uma das principais rotas marítimas para a exportação e importação de petróleo e gás natural, o que o torna num alvo preferencial para a pirataria. Esta prática ilícita ameaça o estilo de vida das grandes metrópoles por pôr em causa o regular abastecimento de matérias-primas, fundamentais para as sociedades desenvolvidas e em desenvolvimento. #História