O fenómeno das etnias ciganas, a sua integração, afastamento ou perseguição não pode nem deve ser ocultado. Os ciganos de outrora eram nómadas, viviam em tendas e dificilmente se misturavam com outras raças ou povos. Viviam de pedidos e da cestaria. Hoje são comerciantes e dependem de subsídios, na maioria das vezes muito mal geridos.

Actualmente constroem ou alugam residências e integram-se, com algumas limitações, entre o povo das nossas aldeias. Têm hábitos estranhos e desconfiam de tudo, porque ou são mal interpretados ou perseguidos. A partir de uma análise lógica e fria, todos os defeitos são apontados para a etnia cigana, com alguma razão, mas também com alguma justificação.

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Antes de continuar com este texto, vou estabelecer um paralelismo, sem qualquer sentido ofensivo para a etnia cigana. Quem tiver um cão, sem amor, sem carinho, em más condições, dificilmente conseguirá que esse animal seja dócil e amigo. O instinto deste animal será comer e dormir; se não tiver o que comer, rouba; se o agredirem, ataca. Não sabe nem distingue o que lhe pertence, o que lhe é vedado usar, ou até aceder.

Portanto, um cigano, sendo um ser humano, com instinto, mas também com inteligência, deseja possuir todos os benefícios, bens ou privilégios das outras raças. Se lhe é vedado, só tem uma alternativa: rouba. Usam para com eles a perseguição, ele responde com agressividade e violência. Nós, os não ciganos, para mantermos o "status", vícios, privilégios e também devido à crise económica instalada, temos somente um filho e muitas mulheres nem querem ou podem ter filhos.

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Eles não pensam da mesma maneira; entendem que a criança, logo que nasça, vai "desenrascar-se", vai à luta e sobrevive. E assim, surgiu um problema nas nossas aldeias: cada vez menos crianças, cada vez mais crianças de etnia cigana.

Notava-se antigamente que a hierarquia na etnia cigana era bastante rigorosa, havia sempre um líder para decidir e castigar quando necessário. Essa pirâmide está a desaparecer. Impera a falta de ordem e de regras, com os tribunais e cadeias a lidarem com muitos casos de transgressão, normalmente de pequena monta, mas também alguns de grande violência.

Se dois jovens forem em busca de um emprego, um cigano e um não cigano, mesmo que o primeiro tenha melhores qualidades, o empregador quem vai escolher? O não cigano está claro. O outro como se sentirá? Revoltado. Assim, como será possível a integração? De quem é a culpa? Soluções? Enterrar a cabeça na areia e fingir que nada existe?

Conheci uma experiência com cultos evangélicos para ciganos. Inicialmente resultou.

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Mas por falta de liderança, falta de respeito entre eles, a falta da tal pirâmide, esse trabalho foi interrompido. Quando preciso de serviços de limpeza no meu quintal, recorro a um cigano. Se for bem orientado trabalha; dou-lhe o que me pede, não necessita de pedir esmolas.

Temos de entender que são seres humanos com os mesmos direitos e deveres de todo o cidadão. Talvez por isto, a União Europeia vai criar um programa destinado a esta etnia. Vêm aí alguns milhões, até ao ano 2020, através do quadro comunitário de apoio, para formação intensiva, estágios, criação de negócios e, especialmente, para integração destas pessoas.

Sabemos que em época de eleições os acampamentos ciganos são visitados por políticos, porque umas dezenas de votos pode fazer a diferença. Gostaria de ver esses políticos, principalmente os autarcas, a promover antecipadamente orientações para estes programas, com debates, visitas sociais, esclarecimento e informação. Caso contrário, o que poderá acontecer? Oportunismo por agentes intermediários, gastos mal orientados e perda de uma oportunidade importante.