Está a chegar um novo ano, ou seja, é época de fazer um balanço de 2014 e de pedir desejos para 2015. Um dos meus desejos para 2015 seria que a RTP finalmente acordasse e trabalhasse adequadamente para termos uma canção vencedora a representar Portugal no próximo Festival Eurovisão da Canção, na Áustria. Contudo, há muito que me deixei de ilusões deste género e prefiro não gastar um dos meus desejos de ano novo com algo que sei que dificilmente se concretizará. A falta de ambição da RTP no que toca a esta competição musical é já algo muito debatido entre os fãs da competição em Portugal, e não só, mas nunca é demais alertar para o que está mal.

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E infelizmente é muita coisa.

Dos 39 países que viajarão até Viena em maio de 2015, Portugal é um dos poucos que ainda não revelou qualquer tipo de planos para a competição. Azerbaijão, Arménia, Grécia, Polónia e Roménia foram os outros que ainda não se pronunciaram sobre o método de escolha da música que os representará. A maior parte deles são países com um histórico de resultados superior a Portugal nos últimos anos. O processo de seleção do artista e da canção continua muito bem guardado a sete chaves nos corredores da RTP, não se sabendo se será escolha interna ou se será o Festival da Canção mais uma vez.

Em julho de 2014, o diretor de programas da RTP, Hugo Andrade, revelou em entrevista ao site ESCPortugal que "a Eurovisão é uma prioridade" para a estação pública.

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Se é mesmo, isso não tem sido bem demonstrado. Em declarações ao mesmo site, revelou ainda que "nunca falhámos por falta de qualidade dos artistas". Concordo com este ponto, porque de forma geral a culpa é mais a falta de ambição da estação, que acaba por se contentar em ser representado ano após ano por músicas que têm muito pouco apelo para o público europeu.

Os nossos maus resultados não se devem só ao facto de termos poucos vizinhos ou às trocas de pontos entre os países de leste. Obviamente que isso também pode ter um peso, mas a verdade é que também nunca fomos bem sucedidos antes da entrada dos países dos blocos de leste. Por vezes, a ambição e a vontade de triunfar fazem a diferença. E ambição, Eurovisão e vontade de vencer não combinam com a RTP, infelizmente. Por isto mesmo é que somos o país que participa há mais anos, desde 1964, e que nunca ganhou. Melhor (ou pior, dependendo da perspectiva...), nunca ficámos nos cinco primeiros lugares. A melhor classificação de Portugal é o 6.º lugar de Lúcia Moniz, em 1996, com "O Meu Coração Não Tem Cor".

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Há muito que a RTP se acostumou a um papel secundário na maior competição musical europeia. Para mudar isso, é preciso trabalhar, exigir mais e não ficar satisfeito com uma mera passagem à final. Em primeiro lugar, se querem manter o Festival RTP da Canção como método de escolha do nosso representante, há que fazer inúmeras alterações. É necessário que o Festival seja algo atual e moderno, e para isso têm de passar a investir seriamente na divulgação do programa e na sua produção, para que se evite uma emissão longa e enfadonha, como tem vindo a ser tradição nos últimos anos. É preciso atrair bons compositores, mas tem de lhes ser dado tempo para escreverem músicas vencedoras. Depois disso, é necessário promover a canção escolhida, não só cá dentro, mas também lá fora, porque afinal de contas são as pessoas de outros países que votam na Eurovisão. Já no palco eurovisivo, tem de se apostar numa atuação que seja memorável e não apenas mais uma no meio de tantas outras. #Entretenimento #Televisão