No decorrer dos últimos anos, muito se tem falado sobre a luta para a igualdade de tratamento entre mulheres e homens a nível profissional. No entanto estudos recentes voltam a apresentar números que refletem ainda um desajuste quando estão em causa cargos de chefia nas empresas. Até à data continuam a ser os homens a exercer quase em exclusivo os cargos superiores, para além de que a nível salarial são também melhor remunerados do que mulheres que ocupem cargos semelhantes. Em termos de previsões para os próximos anos, os números também não são muito animadores e as tendências são de que continue a desigualdade agora registada. Será que existe mesmo vontade por parte dos Gestores de topo que esta desigualdade acabe?

Estudos recentes a nível mundial revelam que no mercado de trabalho as mulheres representam sensivelmente 41%, sendo que dentro desta percentagem só 26% ocupam cargos de gestoras seniores e apenas 19% são membros executivos nas suas empresas.

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Estes mesmos estudos revelam ser previsível que a representação feminina cresça mais rapidamente nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos.

Olhando apenas para Portugal, verifica-se uma discrepância ainda maior no que diz respeito a cargos de topo tanto no sector público como no privado, sendo que somos considerados o país europeu com menos gestoras. No ano de 2013, dos 256 elementos que compunham os conselhos de administração das empresas cotadas na bolsa portuguesa, apenas existiam 18 mulheres e nenhuma delas ocupava a presidência. Foi também apurado que apenas 5% dos quadros empresariais portugueses é composto por uma ou mais mulheres.

Por outro lado, existem também estudos que abordam os argumentos e/ou motivos que justificam estes números. Em primeiro lugar são apresentadas as características genéticas associadas a cada um dos sexos, ou seja, os homens são vistos como melhores líderes e mais competitivos, ao passo que a "empatia" feminina é vista como uma desvantagem no desempenho de funções de chefia.

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Foi também concluído que as mulheres que exercem cargos com elevada responsabilidade de decisão apresentam uma maior tendência para entrar em depressão. De acordo com a socióloga Tetyana Pudrovska "anos de investigação levam a concluir que as mulheres com funções de chefia sofrem pressão dos colegas e lidam com estereótipos negativos, preconceito, isolamento e resistência por parte dos subordinados e dos superiores".

Para tentar combater estas percentagens tão baixas, o Parlamento Europeu aprovou uma legislação em que até 2020, pelo menos 40% dos membros não executivos dos conselhos de administração das empresas europeias cotadas em Bolsa têm de ser mulheres. Em 2013 quando a lei foi aprovada, a percentagem situava-se nuns meros 15%. Veremos se esta imposição será suficiente para inverter os números e as tendências apresentadas.