O aniversário de Manoel de Oliveira é notícia todos os anos. Nenhum outro país se pode gabar de ter no activo um realizador com 106 anos. O segredo segundo o próprio é "continuar a trabalhar". Tanto que no próprio dia do seu aniversário, 11 de Dezembro, estreou mais uma obra da sua autoria: "O Velho do Restelo" e desengane-se se pensa que vai parar por aqui. Manoel de Oliveira ainda tem mais projectos na gaveta que quer ver concretizados. Parar é morrer e Manoel de Oliveira não quer parar de viver.

Num país de velhos como o nosso, exemplos como o de Manoel de Oliveira são sempre bem-vindos. Não sei se sabe, mas segundo os últimos dados, em 2013, viviam em Portugal 3393 pessoas com mais de um século de vida.

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A tendência é a de os números aumentarem drasticamente nos próximos anos. Numa sociedade envelhecida, Manoel Oliveira é uma excepção à regra pela sua teimosia em manter-se activo. A tendência das pessoas nestas idades é a de estagnarem.

Se parar para observar os parques das vilas e das cidades, certamente vai reparar que estão a abarrotar de idosos. Na sua maioria são pessoas que pararam no tempo. Os dias arrastam-se uns atrás dos outros. Sempre iguais, monótonos e cinzentos. São pessoas sem vida, à espera da morte, do fim.

À semelhança da infância, a #Terceira Idade deveria de ser encarada por todos nós como uma das fases mais bonitas da vida. Já não existe a obrigação de sair de casa todos os dias para trabalhar, os filhos estão criados, há finalmente tempo e disponibilidade de fazer tudo aquilo que antes não podíamos fazer, como por exemplo tirar uma licenciatura.

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Sonhar não tem prazo de validade e sonhar faz-nos sentir vivos.

O que se vê nas cidades e nas aldeias é precisamente o contrário: idosos a vaguearem por entre as ruas e caminhos como se estivessem perdidos. Presos às recordações da sua juventude. Cabisbaixos, porque já não têm a força de outros tempos. É gente sem objectivos, sem motivos que as façam acordar todos os dias com um sorriso estampado no rosto.

Manoel de Oliveira é diferente. Prefere não estar parado e ver a vida passar por entre os seus dedos. O fim é apenas quando morrer. Até lá quer continuar com a sua obra e, sem se aperceber, a ser fonte de inspiração para todos aqueles que morreram antes do tempo. Se é para ser um país de velhos, que seja para ser um país de velhos activos. É de mais pessoas como Manoel de Oliveira que precisamos. Pessoas que nunca desistam de viver.