Mário Soares é um lutador, um resistente. 90 anos: não há melhor marca para fazermos um exercício de retrospeção daquela que foi uma vida dedicada à luta pelos nossos direitos. Hoje, com um almoço repleto de convidados dos mais variados quadrantes da sociedade, o ex-presidente da República celebra o seu aniversário. Com uma carreira política incomparável e de uma importância relevante, personalidades à esquerda e à direita já vieram a público elogiar todo o trabalho que o co-fundador do PS fez pela sociedade portuguesa, descrevendo-o como "homem da liberdade" e "homem da democracia".

Com uma educação privilegiada e estimulado pelos seus pais para assumir um cargo de relevância na sociedade, o seu destino parecia traçado.

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Contudo, o seu período de formação foi conturbado. Uma voz permanentemente ativa contra o regime, criou e participou em vários partidos, lutando pelo direito à liberdade. Direito esse que lhe foi retirado por doze vezes, mas resistiu. Ganhou coragem quando os outros não a tinham e nunca desistiu. Poderia ter sido um excelente advogado, mas preferiu fazer a diferença, ser grande. Exilado em Paris, voltou a Portugal três dias após a queda da ditadura, no famoso "Comboio da liberdade".

Participou como Ministro dos Negócios Estrangeiros nos três primeiros Governos Provisórios e no quarto como ministro sem pasta. Mas foi em 1986 que Mário Soares, depois de uma corrida presencial muito equilibrada, foi eleito Presidente da República. Cargo que viria a ser seu durante dez anos. Sempre com a sua irreverência e inconformismo, ainda hoje, o carismático Soares é uma voz ativa na política portuguesa, sendo respeitado por todos os seus colegas, apesar das diferentes diretrizes e ideologias, um posto difícil de ser conquistado em Portugal.

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Mário Soares é sinónimo de liberdade e democracia. Uma personalidade reconhecida internacionalmente, que cativa e inspira milhões de pessoas. Um constante desafiador, que exige o máximo às pessoas que o rodeiam. "Queiram ser mais, a quererem mais, a ler, a saber", disse recentemente. Foi o que fez durante toda a sua vida, sem segredos. O pai da democracia portuguesa foi mais. É especial.