Mais um #Natal, mais uma época de prendas, de festas, de excessos gastronómicos. Multiplicam-se os mercados e as actividades, os jantares das empresas, das instituições, dos amigos, antes do dia da Consoada. As pessoas mais religiosas apontam que se perde e esquece o significado mais profundo desta época - que deve ser da paz, da concórdia, da família e do nascimento do Cristo, em vez do 'consumismo exacerbado'. As pessoas mais desligadas esperam que passe rapidamente. Onde está, afinal, o simbolismo da época natalícia?


Há poucos anos, houve uma corrente de opinião entre os ateus portugueses que defendia alterações ao Natal, e em primeiro lugar por ser um feriado religioso que não faria sentido num Estado laico. Argumentam os ateus, ente outros pontos, que o Natal foi a adaptação, pela Igreja Católica, de antigas celebrações pagãs do solstício de Inverno. Mas a ideia não conseguiu adesão significativa, e em primeiro lugar porque o Natal é muito mais que um feriado religioso. 


Sim, o Natal continua a ser uma celebração do Solstício, e qual é o problema disso? Será que as culturas antigas tinham necessidade de festejar e assinalar o menor dia do ano, como forma de aguardar os dias longos do Verão? Pois bem, as nossas sociedades pós-industrais continuam a precisar disso. Os dias de Inverno são curtos e pouco luminosos e é importante celebrar a vida com quem é mais importante. Mais do que isso, é ter a noção de que durante alguns dias do ano nos devemos mesmo dar ao luxo de parar um pouco, abrandar a correria e o stress do dia-a-dia, olharmos para nós e vermos o que é realmente importante. 


O Natal até pode já não nos "dizer nada", ou talvez sintamos a falta dos que já partiram. Neste caso, até já tivemos a celebração dos Finados no início de Novembro - e a simbologia que a Igreja Católica acrescentou às festas pagãs foi precisamente o nascimento, a nova vida.  Mas se não for por nós, que seja pelas crianças. É a ideia da prenda, mas é também a ocasião de fazer aquele gesto solidário que não se fez durante todo o ano. São os filmes, o período de férias, uma viagem à terra ou a chegada de primos e tios, é a vaga ou concreta ideia do Pai Natal que vem da Lapónia - mesmo que esbarremos com ele em cada shopping -  é a excitação e a espera do grande dia, é a sensação de que é possível que a vida, por vezes, seja um pouco diferente. No fundo, é esse pequeno sonho, que leva multidões a eventos como a Vila Natal de Óbidos - porque queremos sempre dar um pouco de sonho às nossas crianças, mesmo que queiramos evitar os aglomerados de gente e grandes confusões dos centros comerciais. E será hipócrita a ideia de termos de que ser bonzinhos só nesta época? Não faz mal - haja uma época do ano em que isso seja falado com mais intensidade. Como dirão os especialistas em marketing, é sempre melhor que se fale mais do que menos. Talvez no futuro surjam outras formas de celebrar e viver esta quadra - este sonho.