"Política é comunicação". Parece uma frase dita por Jacques de La Palice, mas a verdade é que muitos políticos se esquecem de a colocar em prática e, quando o fazem...corre mal. Construir uma força doutrinária, erguer uma estrutura com bases ideológicas, gerar expectativas e criar militâncias. Tudo isto passa pela comunicação, isto porque a própria legitimação do sistema doutrinário assenta na capacidade de comunicar, ou seja, as acções para gerar e manter a crença social da validade das instituições são, em grande medida, uma tarefa que se dá à propaganda. Cabe-lhe a função de difundir os princípios e os valores que fundamentam o exercício ideológico e consolidar a legitimação do sistema.

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A comunicação é uma das características mais notáveis da democracia moderna, porque está directamente relacionada com um dos elementos essenciais - o voto - e para haver uma escolha, ou seja, um voto, tem de haver uma boa comunicação sobre as candidaturas levadas a escrutínio. Acontece que em Portugal, aparentemente, as comunicações políticas têm resultados contraditórios: Quanto mais instruída for a pessoa, maior é a desconfiança face ao político. Isto prova, em parte, que a forma de comunicar, isto é, fazer passar a mensagem que é utilizada actualmente não se coaduna com a realidade eleitoral, o que pode significar a instauração de uma apatia política ou mesmo, e em caso extremo, um surto Niilista.

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Seria trágico para a política nacional.

Mas a verdade é que a grande maioria dos agentes políticos de hoje não sabe fazer passar a sua mensagem de forma clara e de modo a que possa ser entendida tanto pelo professor catedrático em Coimbra, como pelo reformado na sua aldeia perdida no interior do Portugal rural. Se existe alguma coisa que os políticos deveriam aprender com Karl Rove ou Alastair Campbell é a utilizar a famosa técnica KISS (Keep it Short & Simple) nas suas mensagens, até porque não existe nada mais aborrecido do que ler um programa de governo com texto demasiado complexo e pseudo-intelectual.

Sumariamente: A Política e a Comunicação são interdependentes e os resultados de uma reflectem-se na eficácia da outra, razão pela qual é necessário que o agente político se muna de ferramentas úteis para conseguir alcançar os seus objectivos junto do eleitor. Convencer não é impor. É esta a mensagem que tem de ser passada nos círculos políticos e nos gabinetes de comunicação que fazem a assessoria política. Dale Carnegie dizia que o mais importante não é vender uma ideia própria, é fazer querer à outra pessoa que a ideia era, inicialmente, dela, fazendo com que execute aquilo que lhe sugerimos sem oposição. #Eleições