Quando fiz 21 anos, amuei na minha própria festa porque um tipo me tinha dado uma tampa. Nessa altura, achava que aos 30 tudo estaria diferente. E apesar de todas as questões que me passavam pela cabeça, - Vou estar no emprego certo? Vou estar casada? Vou ser financeiramente independente? Vou deixar de esbarrar nos homens errados? - os 30 sempre me pareceram um número mágico onde todos os meus problemas já teriam desaparecido. Mas, a meia dúzia de meses de celebrar os, oh tão mágicos, 30 anos, estou numa crise existencial.

Há 10 anos queria ser alguém, mas não sabia a pessoa que queria ser. Queria ser importante, mas não sabia o que era importante para mim.

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E acreditava que hoje, aqui sentada na cama a escrever isto a um sábado à tarde, já iria saber. Aparentemente, todas estas dúvidas dos 30 anos podem ser explicadas, em Astrologia, pela fase em que Saturno faz uma órbita em torno do sol e retorna à posição em que estava na altura do nosso nascimento. Isto significa que passámos da juventude à vida adulta e deixámos para trás todos aqueles momentos de dúvidas, epifanias e erros constrangedores. Lembra-se de alguns deles?

1 - Não saber o que se quer fazer da vida

Aos 20 anos, tanto podemos querer trabalhar num banco como descobrir que a nossa vocação é dar aulas de surf. Os 30 chegam para refinar aquilo que descobrimos na década anterior, de forma a tornar os nossos sonhos numa forma de vida sustentável. Por isso, ainda vou a tempo.

2 - Amores e desamores

Hoje é o amor da nossa vida.

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Amanhã não percebemos o que é que tínhamos na cabeça. Aos 20 podemos sentir tudo ao mesmo tempo e por toda a gente. E saltar de uma relação para outra como se fosse perfeitamente normal.

3 - Atirar com tudo ao ar porque temos 20 anos

Trair o nosso namorado de cinco anos ou despedir-se de um emprego e bater com a porta. Já todos fizemos isso. Se estamos a descobrir aquilo que queremos ser para o resto da vida, vamos falhar vezes sem conta. Não há razão para nos arrependermos destes momentos de epifania.

4 - Envolver-nos com as pessoas erradas

Se todas as pessoas com que nos cruzamos fossem o amor da nossa vida, já teríamos casado dezenas de vezes. Só porque alguém não nos fez bem, não significa que a sua passagem não tenha tido um motivo. Além disso, precisamos de conhecer todo o tipo de pessoas erradas para reconhecermos uma certa quando a encontramos.

5 - Deixar que nos pisem os calos

Em casa. Na faculdade. No trabalho... Vamos engolir sapos porque não temos coragem de argumentar.

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Mas quanto mais rápido descobrirmos o poder da nossa voz, melhor, porque vamos mesmo precisar dele, quer seja quando um colega ficar com os louros do nosso trabalho ou quando tivermos de pedir um aumento.

6- Mudar tudo em nós em prol de outra pessoa

Uma cintura magra nunca, nunca, nos irá trazer o homem dos nossos sonhos. Nem uns abdominais a mulher perfeita. A pessoa certa vai saber que encolhemos a barriga, mas vai adorar dançar connosco nua ao som de Nina Simone. Mas aos 20 anos ainda não sabemos isso. Por isso, podemos desculpar as horas no ginásio e as dietas malucas.

7 - Deixar que a insanidade tome conta da nossa mente

Se não tivesse apanhado um avião para Madrid atrás de um homem que achava ser o amor da minha vida, ou ter feito viagens espontâneas apenas com a roupa que tinha no corpo, provavelmente iria sentir falta de todas as loucuras que me trouxeram até aqui. Os 30 anos não são o fim do divertimento, mas depois de sentirmos que vivemos tudo, vamos conseguir focar-nos melhor nas coisas que realmente importam agora: #Família e carreira.

Porque é isto que fazemos todos os dias - caminhamos para as pessoas que estamos destinados a ser e olhamos para os momentos que nos fizeram aquilo que somos. Com os 30 vêm todas essas lembranças e erros constrangedores. Mas vem também o conforto de olhar para trás e saber que não nos devemos arrepender de nada. Porquê? Porque era assim que tinha de ser.