Quando um comandante dos bombeiros decide um peditório na via pública, em plena circulação do trânsito, uma colectividade ou até um deficiente, nos aborda pedindo um donativo, sabemos que não o faz com má intenção, mas por necessidade. Sabemos contudo que também há os oportunistas. No caso particular dos bombeiros sabemos a situação económica que atravessam para subsistir, muito mais, em época de crise, quando as solicitações são muitas e os donativos/subsídios cada vez menos. Se pretendermos fazer uma viagem longa, para fugir às portagens, deparamos com estradas mal sinalizadas, sem conservação, em muitos casos com "crateras constantes", veículos em condições deploráveis, alguns todos amolgados, fumarada preta, luzes descontroladas, sem piscas ou stops.

Publicidade
Publicidade

Aturamos tudo, aparece uma rotunda e lá está alguém a pedir. São os veteranos, as ligas, as associações, os deficientes, etc.

Com portagens caras e algumas despropositadas, o petróleo a descer brutalmente e os combustíveis a descer lentamente, qual é a alternativa? Não há transportes públicos decentes e, se os há, são caros e a más horas. Um ou dois cêntimos a mais nos combustíveis daria para todos circularmos sem portagens, mas isso não interessa discutir. Sempre que me pedem na via pública, quando a circular de automóvel, recuso entregar qualquer donativo. Se for possível, justifico. Se forem bombeiros, também não dou, mas fico com a consciência a pesar, não pesada, mas difícil de digerir.

Não é fácil dizer não, mas carregados de sacrifícios, a partir do momento que nos "agarramos" ao volante, todos os que vão para a estrada pedir, deveriam ter consciência deste facto.

Publicidade

Quanto custa um automóvel? Quanto custa a sua manutenção? Quantos custam as multas de qualquer infracção? Quanto custa aturar os condutores desesperados como eu? Quanto custam os impostos sobre veículos e combustíveis? Quanto custa! Todas essas instituições que pedem se forem para as portas de um hipermercado, não recebem nada, porque as pessoas fogem. O automobilista está "encarcerado" no trânsito, nas regras e na perseguição fiscal que lhe é imposta. Não pode fugir.

Salazar proibiu a mendicidade por decreto, assim transmitiu ao mundo que estávamos num país sem mendigos. Seria a hora de os governantes proibirem a mendicidade nas estradas. Seria dado ao mundo uma imagem de país "desenvolvido", colocando ainda outdoors com sorrisos, música nas estradas, polícias dançarinos, ou até tapetes verdes sobre os buracos miseráveis que nos acompanham em todos os percursos. Ninguém me garante que um grupo de pessoas, munidas de coletes laranjas, dizendo veteranos de qualquer guerra no além, não sejam simplesmente grupos organizados com necessidade de viver à custa do alheio, neste caso do incauto condutor.

Publicidade

O condutor tem de ter cuidado com tudo o que o rodeia, mesmo até com o incauto peão que, por falta de bermas em situações aceitáveis, é forçado a caminhar na via pública. Condutor sofre! Não refiro também aquelas meninas que estão à beira da estrada, mal vestidas/despidas, também pedindo, sem o fisco à perna, com falta de registadora ou talão de emissão de recibos. Elas têm todo o direito de pedir, mas devem cumprir as regras de qualquer cidadão na sua actividade comercial/industrial, emitindo o respectivo recibo.

Uma sugestão: Todos os peditórios para instituições que não apoiam o trânsito, deveriam ser proibidos por lei de pedir na via pública. Todos os outros, como por exemplo os bombeiros, deveriam substituir os peditórios por panfletos orientadores e esclarecedores de boas regras, com um apelo ao donativo. Depois ficaria na consciência de cada um, dar ou não dar, mas nunca na via pública em plena circulação.