A Portugal Telecom (PT) foi líder do mercado móvel nacional, bem como da América Latina e hoje é apenas uma empresa cheia de dívidas. Foi a primeira empresa a implementar um cartão pré-pago na rede móvel, através do qual lançou a empresa brasileira VIVO para a liderança do mercado móvel na América Latina. Revolucionou também o mercado móvel nacional com a rede 3G, serviços de TV inovadores e campanhas publicitárias agressivas, que marcaram pela diferença. Tudo isto é irrelevante nos dias de hoje, pois estamos perante uma empresa abandonada pelo Estado português e que está a ser descredibilizada através da sua venda ao desbarato em praça pública a capitais estrangeiros.

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E os culpados por esta hecatombe não são julgados?

A destruição deste gigante da bolsa portuguesa começou com a venda da empresa VIVO, líder do mercado móvel na América Latina, que era, sem qualquer dúvida, o seu maior ativo. Como é possível que tal aconteça? Os interesses financeiros a curto prazo dos seus acionistas foram mais fortes que qualquer intervenção do Estado português, que se auto relegou para segundo plano neste negócio ruinoso. A necessidade de pagar dividendos ridiculamente altos aos seus acionistas ditou o caminho penoso da PT desde o ano de 2006 para fugir à OPA lançada pela Sonaecom. Em 14 anos a PT distribuiu 11600 milhões de euros em dividendos, sendo que a sua maioria, ou seja 9500 milhões, foram distribuídos após o ano de 2006.

O seu maior acionista, mais precisamente o Banco Espírito Santo, sempre utilizou a PT como salvaguarda para os seus interesses no que dizia respeito às suas necessidades de liquidez imediata.

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Para o tão mediático Ricardo Salgado, a PT apenas servia como meio para conseguir liquidez que lhe permitisse efetuar todo o tipo de investimento no grupo que liderava. Tal facto levou à descapitalização da empresa o que, ao mesmo tempo que lhe retirava capacidade de investimento, a deixou altamente endividada. As ações da PT têm caído a pique. No início de 2013 valiam um pouco mais de 4 euros e neste momento estão na ordem dos 1,2 euros.

A liderar tudo isto estiveram sempre dois idolatrados gestores, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. Zeinal Bava deixou a PT antes de "rebentar" o escândalo BES e assumiu a presidência da OI, empresa brasileira que estava em processo de fusão com a PT em mais um negócio ruinoso para a PT, mas bastante rentável para a conta bancária deste gestor e restantes acionistas. O mais ridículo de todo este enredo é que, para além de nenhum destes grandes gestores ter sido chamado a responder pela gestão danosa feita na PT, Zeinal Bava ainda foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial pela Presidência da República. Estranho país este onde, em vez de se condenar a má gestão, são atribuídas condecorações através do Presidente da República.