Stephen Hawking nasceu maior que o seu corpo. Sofrendo de ELA - Esclerose Lateral Amiotrófica, uma rara doença degenerativa, que paralisa os músculos sem no entanto atingir as capacidades cerebrais que, nele, são imensas. Físico e cosmólogo, é um dos mais consagrados cientistas. Ocupa hoje em permanência um conceituadíssimo posto de investigação científica na Universidade de Cambridge, posto que já foi de Newton…Serve-se de uma sofisticada cadeira de rodas, tendo em relação aos membros uma mobilidade quase nula e, dado que se trata de uma doença degenerativa, não conta com melhoras, pelo contrário. Não é portanto a esperança que o alimenta. É a certeza científica.

Publicidade
Publicidade

Fala através de um sintetizador que controla com a bochecha porque o universo - que ele decifra melhor que nós - achou que seu fardo era pouco e atribuiu-lhe há anos uma pneumonia tão pesada, que teve de fazer uma traqueotomia, pelo que a sua voz tem de ser processada para nós a ouvirmos.

Quando chega a uma das inúmeras conferências que dá pelo mundo fora, surge a imagem de um ser frágil, dependente, com um suporte no pescoço para aguentar a cabeça, e com um sorriso quase patético para os nossos olhos quase patetas. E no entanto…No entanto é um ser de luz, como muitos dos corpos celestes que estuda, quando tinha tudo para tornar-se um buraco negro. Não é especial por ser especialmente doente. Não é especial por ser especialmente inteligente. Em ambos os casos não fez nada para isso, nasceu assim: doente e inteligente.

Publicidade

Nenhum grande valor acrescentado com mérito seu.

Tornou-se especial porque, sendo assim (tão doente e tão inteligente), é vibrante, é intenso, é divertido, é interessado e consequentemente interessante, é estudioso, duvida, acredita, questiona, casou, descasou, casou de novo, gerou filhos, é professor, viaja…Talvez por ser ateu, não tem de questionar nem de zangar-se com nenhum deus e, religiosamente, aceita as não divinas mas nem por isso menos implacáveis leis cromossómicas. Do mesmo modo a sua gratidão vai apenas para a vida.

Depois de já nos ter surpreendido ao aceitar participar em séries de televisão como "A Teoria do Big Bang" ou nos famosos "Simpsons", veio há pouco tempo dizer que gostaria de ser vilão num filme de James Bond! É preciso estar de bem com a vida! Eu acho que ele deveria concorrer ao casting de um outro filme: O Super-homem, mas para o papel do protagonista! Recentemente visitou Espanha e abriu uma conferência com este alerta para o governo:" Não se pode incentivar os jovens a estudar carreiras científicas com cortes no campo da investigação". Eu, que tenho mais saúde e menos inteligência que Stephen Hawkins, creio que é esta voz que ele não tem, que todos os governos deveriam escutar. #Inovação