Cada vez mais, tenho dificuldade em responder facilmente a uma pergunta que não deixa de perturbar a minha mente: O que é o #Futebol Português? Esta questão é sem dúvida uma discussão sem fim. Várias vertentes, que aqui não abordo teriam de ser analisadas. Prefiro, neste artigo, focar-me na aposta dos atletas e técnicos portugueses.

É inegável que a quantidade de pessoas talentosas e curiosas pelo treino tem crescido incrivelmente nos últimos anos. Tem-se assistido à transformação de vários ex-jogadores em treinadores. A liga portuguesa, felizmente, desde há alguns anos, que aposta sem medo no técnico português. Todos os anos, surgem novos nomes e novas promessas. Lá por fora, arrisco a dizer, hoje em dia, em qualquer continente deste nosso planeta, existe um treinador português a brilhar.

José Mourinho é obviamente o caso mais notável. Em apenas 14 anos de carreira, já é o primeiro treinador da história do futebol mundial, que consegue conquistar campeonatos nas principais ligas do mundo. Comparando com alguns nomes sonantes do futebol mundial, já tem por exemplo: tantas champions quanto Sir Alex Ferguson ou que o nosso bem conhecido Giovanni Trappattoni. Outro nome lusitano, que brilhou intensamente, foi Manuel José. O veterano treinador algarvio conquistou durante anos títulos atrás de títulos no Al-Alhy, o maior clube egípcio e africano.



Quanto aos grandes protagonistas do desporto rei, os jogadores, vivemos uma situação curiosa: o século XXI tem apenas (quase) 15 anos e já forneceu… 2 melhores jogadores do mundo de origem portuguesa (Luís Figo e Cristiano Ronaldo, isto só falando do futebol. Se quisermos, ampliando para outras variantes do "mundo da bola", no Futsal temos o Ricardinho, no futebol de praia o Madjer. E aqui chegamos ao primeiro paradoxo do futebol português. Ter craques mundiais a somar-se à atual crise financeira, não serão razões mais que suficientes para apostar no jogador português?

A resposta é: sim e tem-se apostado… no estrangeiro (como por exemplo: Valência, Mónaco, Lille, ou Barcelona). Por cá, salvo exceções honrosas (como o Paços de Ferreira, ou o Vitória de Guimarães…) vive-se no faz de conta. É recorrente ouvir frases descabidas vindas de pessoas com elevada responsabilidade na modalidade semelhantes às que se seguem: "Não se aposta no produto nacional porque fica caro", "não tenho tempo para formar jogadores portugueses". Qual é o sentido de trazer um jogador argentino, brasileiro, ou de outro sítio qualquer, em detrimento de um português? É mais barato do que apostar num jogador que treina e joga a poucos quilómetros da sede do clube? É mais fácil esperar meses por um jogador que se adapte aos processos de jogo europeus, assim como ao idioma, clima, entre outros fatores? Não sou contra o jogador estrangeiro, o que sou contra é apostar tão pouco no português. Merecem tantas oportunidades como alguém que vem de fora!