Para analisarmos o desenvolvimento social de um povo, na minha opinião, deveremos analisar três aspetos que me parecem cruciais: a forma como são tratados os velhos, a forma como se cuida das crianças e o papel que é atribuído à cultura. Irei iniciar hoje um conjunto de artigos de opinião sobre estes aspetos sociais, que considero deverem ser alvo de reflexão e discussão alargada, agradecendo desde já o feedback e opiniões que me venham a dar. Neste artigo irei colocar apenas alguns pontos introdutórios que abordarei de forma mais sustentada posteriormente.

"Velhos, num banco de jardim..."

Relativamente aos velhos estamos a assistir a um acréscimo de atenção e fornecimento de cuidados a esta faixa etária, na maioria deles, cuidados pagos...

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Os cuidados geriátricos têm vindo a crescer e a disseminar-se o que, sendo louvável, não está a ser acompanhado pela diminuição da solidão e aumento do respeito pela vida e sabedoria que as pessoas desta faixa etária merecem. Tal como aprendemos no ensino básico, ao aumento da procura está correlacionado o aumento da oferta e vice-versa, portanto, vemos disseminar empresas de cuidados para os mais velhos, necessariamente focados numa vertente económica.

Crianças cada vez mais sozinhas...

No lado oposto da escala cronológica estão as crianças que, hoje mais do que nunca, têm uma oferta diversificada de artigos e produtos para o seu cuidado e diversão, mas crescem mais sozinhas e abandonadas do que nunca. Agarradas a aparelhos tecnológicos que tentam suprimir a ausência dos pais, vão colmatando o estado offline dos progenitores com o estado online para oferta tecnológica que, sendo positiva quando bem explorada, pode ser arrasadora quanto a relações e emoções humanas diz respeito.

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Nada substitui o cuidado de uns pais carinhosos que falam, brincam e estão presencial e sentimentalmente com os seus filhos. Esta fatura iremos pagá-la quando formos velho. Com o desprezo e tecno educação que estamos a proporcionar aos nossos filhos, por certo lidarão connosco de igual forma, ignorando os afetos e a presença, substituindo a visita presencial por um tweet ou um comment numa rede social qualquer.

Cultura também é "estar com"...

Por fim, relativamente à questão cultural, não irei ser muito exaustivo agora, mas gostaria de referir que cultura não é apenas música clássica, teatro, escultura, pintura… Para além de estas vertentes artísticas estarem a padecer de um desinvestimento e consequente menor protagonismo na vida dos cidadãos portugueses, também se verifica um desinteresse crescente pela cultura popular que, para ser passada de geração em geração, implica que se "esteja com", se saiba ouvir e respeitar a opinião dos mais velhos que conhecem histórias, músicas e saberes que fazem parte da nossa cultura e das nossas raízes e que, em alguns casos, morrerão inevitavelmente com eles... #Família