Um destes dias, enquanto fazia uma reportagem fotográfica num evento de cariz nacional, o preletor fez a seguinte pergunta: "Sabendo que o sr. Joaquim pesa 70Kg e temos de administrar 6mg deste fármaco por cada Kg, quantos mg temos de administrar ao Sr. Joaquim?" Confesso que a questão gerou em mim alguma perplexidade tendo em conta o nível elevado da formação dos participantes, no entanto a minha perplexidade foi ainda maior com o silêncio que se estabeleceu... Uns, discretamente, tentavam alcançar o telemóvel, outros entre-olhavam-se franzindo o sobrolho, percebendo o momento constrangedor que se estabelecera.

Um corajoso assume a palavra e responde "42"...

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Estabeleceu-se um burburinho ao que o preletor, manifestando alguma incredulidade com o que ouvia, respondeu simplesmente que eram 420mg...

Também eu, enquanto ainda acreditava no ensino e era docente, numa altura a alunos do 9º ano, fiz a questão: sabendo que estávamos em 2011 e eles tinham 14 anos, em que ano nasceram? Fiquei chocado com o facto de nenhum aluno saber fazer o cálculo que lhe daria a resposta correta, mas nada que se compare com o caso supracitado.

Atualmente as escolas vivem orientadas para a apresentação de melhorias de resultados, direcionam as suas práticas para subirem posições nos rankings, baixando o seu nível de exigência a um nível quase insultuoso para os alunos que querem evoluir e aprender sempre mais.

Portugal vive uma crise na #Educação que tenta camuflar com os números e estatísticas que apresenta à Europa: seria importante dar voz aos professores empenhados e realmente preocupados com os alunos e com o ensino (não com os "biscateiros" do ensino) para que pudessem exprimir o que realmente se passa nas escolas.

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Parece-me essencial auscultar a opinião dos alunos que se empenham e vêm a escola como uma oportunidade de evolução, para percebermos se encontram nela aquilo que procuram. É crucial entender e minimizar as causas que fazem com que tantos alunos se afastem da escola e olhem para ela com total displicência.

Deixo-vos apenas esta minha opinião: a escola deve gerar capacidade de trabalho e ferramentas para os alunos enfrentarem o futuro profissional, não deve ser geradora de notas e classificações desprovidas de qualquer significado e valor.