Comecemos pela questão da normatividade do comportamento moral no dia-a-dia. Temos de interiorizar um código de conduta baseado em imperativos de cidadania, tolerância, solidariedade, #Justiça e outros valores, de natureza humana e ética, que sustentam a nossa sociedade.

Para o estabelecimento desse código, em minha opinião, não necessitamos ter como base nem o Corão nem na Bíblia. Embora eu pouco conheça do Corão, o pouco que li ou ouvi sobre ele... não fiquei muito agradado! E quanto à Bíblia, que conheço melhor, também não necessito dela como referencial moral. Destes livros emanam normas de conduta só justificáveis em contextos históricos e regionais próprios, de um passado remoto, que agora são obsoletas.

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Dou razão, de certo modo, ao autor Richard Dawkins: "A religião é a raiz de todos os males". Inclusive porque um dos perigos da prática religiosa com forte convicção é cair-se no fundamentalismo.

Passemos agora ao sangrento atentado de ontem contra o Charlie Hebdo, que tem como raiz profunda a "fé" religiosa fundamentalista referida nas linhas anteriores. É evidente que não devemos responder à violência com violência. Até para evitar a tal "espiral simétrica de agressão". Daí à barbárie vai um curto passo. A manifestação em Lisboa, hoje, contra esse atentado terrorista é uma iniciativa correcta, oportuna e que dará os seus frutos. Mas é claro que não podemos ficar por aí.

A atitude certa e mais eficaz é mesmo a implementação de procedimentos assentes na firme defesa das nossas convicções sobre as liberdades cívicas, designadamente da liberdade de expressão.

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Sem prejuízo da convivência com culturas diferentes da ocidental, mas que obedeçam à Justiça do nosso país e se coadunem com o nosso modo de defesa dos direitos humanos.

Os mencionados procedimentos implicam vigilância, sem cair na negligência ou ingenuidade. Refiro-me à vigilância/monitorização face a grupos ou comunidades (mesmo só algo) suspeitos de promoverem o terrorismo pró-islâmico. Repetindo a palavra vigilância (embora eu seja leigo na matéria), acho que a mesma passará pelo reforço dos Serviços de Informação. Mesmo que isso condicione, de algum modo, o nosso à vontade, descontracção e liberdades, próprios da Democracia. Democracia que nós defendemos e adoramos - e isto é dito sem ironia.

De outro modo, estaremos sujeitos à situação que o povo designa: "Casa assaltada, trancas nas portas". A realidade é dura, mas é esta. Realismo e não ingenuidade. Sobre o cruel atentado de ontem, não terá havido negligência por parte dos Serviços e autoridades francesas, em matéria de Segurança e Informação antiterrorista? Determinados serviços e figuras de autoridade funcionam precisamente para prevenir/evitar atentados como estes.

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Reitero: Não sou perito nesse domínio, mas interrogo-me se não seria de prever que isto viesse a acontecer, mais cedo ou mais tarde. E não consigo deixar de ficar indignado com a ocorrência dessa tragédia criminosa que ontem esventrou o Charlie Hebdo. Que ontem aconteceu em Paris e amanhã poderá suceder em Lisboa.