Este primeiro mês do ano ficará para sempre assinalado pelos terríveis acontecimentos de Paris e pela ameaça de terroristas que movidos por um ódio cego. Eles acreditam que são senhores da razão e da verdade e que o mundo inteiro se deve ajoelhar aos pés de Maomé. Este, coitado, se estiver a ver o que em nome dele se tem feito, anda às votas no túmulo a perguntar, como perguntam os pais cujos filhos se desviam: - Meu Deus o que é que eu fiz de errado!

A liberdade e o livre arbítrio são causas que incomodam a muitos senhores, e a ignorância é o maior e mais directo veículo de manipulação que algumas religiões, desgraçadamente, têm usado e abusado.

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Quando Marx se referiu à #Religião como "o ópio do povo" estava mais do que certo e o ópio arruína qualquer povo que por ele se deixe levar - que o digam os chineses! Mas há pelo menos alguns seguidores fundamentalistas de uma certa religião que estão decididos a não arruinar um único povo mas a dar cabo do mundo inteiro. Aos ignorantes convence e àqueles que são livres e pensantes, impõe-se.

Impõem-se, ou tentam impor-se, da forma mais hedionda - pela violência brutal e traiçoeira, deixando-nos a nós - ocidentais habitantes de um continente que apesar dos pesares é livre e culto - em alerta permanente. Os jihadistas fazem de tudo para que o medo se entranhe no nosso quotidiano e nem têm a coragem de se revelar, de dizer verdadeiramente ao que vêm! Escondidos atrás de Maomé, aterrorizam populações que sabem que não existe, nem nunca existiu no mundo, nenhum profeta que apoie o sadismo com que esta gente desempenha actos abomináveis.

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Se eu acreditasse no demónio diria que é a esse que servem. Aliás, se Satanás existe, essa gente deveria ter a coragem de assumir que o seu profeta é ele! Mas há-de dar-lhes muito mais jeito agirem como agem em nome de Maomé. Assim matam dois coelhos de uma cajadada só - servem ao diabo e deixam mal visto um profeta de uma das maiores religiões do mundo.

É isso que o Mal faz - aproveitar todas as oportunidades para invadir território. Todas as desculpas servem - as caricaturas de Maomé publicadas pelo Charlie Hebdo não passam de uma conveniente desculpa. E os poucos de nós que ainda põem em causa a legitimidade dessas publicações ou se esquecem que elas são a denúncia imprescindível de um fundamentalismo, que a existir no mundo, se deve manter na gaiola em que vive e não pode ter a pretensão de voar para territórios que são e querem continuar livres, ou sofrem dessa doença que os deixa à mercê da manipulação - a extrema ignorância.