Existe o "faça você mesmo", em que compramos um kit com manual de instruções e conseguimos nós próprios produzir o artigo que é vendido pronto-a-consumir na loja. Existe também o "faça você mesmo" no qual já quase todos alinhámos: o self-service. Servimo-nos a nós mesmos com todo o tipo de justificações: "tenho pressa"; "assim sobra-me mais tempo"; "não tenho paciência para esperar"; "gosto de fazer as coisas à minha maneira"; "vou lá quando me apetecer". Em resumo, tempo e comodidade. Tudo sem diálogo.

Alguns exemplos. O carro. O comprovativo de estacionamento pago é obtido no parquímetro. As portagens de auto-estrada são automáticas e em vez de ouvir um portageiro, para avançar lemos no letreiro "boa viagem".

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A mensagem de sinal verde é a mesma nos silo-auto. Na bomba de gasolina auto-abastecemos o depósito. Na lavagem automática dispomos de detergentes, mangueiras e aspiradores.

Exemplo seguinte: a alimentação. Ao viajar de comboio rápido, se temos fome ou sede já não nos deslocamos ao vagão da cafetaria, mas sim a uma máquina no meio do corredor de uma carruagem. As lojas de conveniência (estabelecimentos abertos fora do horário comercial) são substituídas por espaços abertos 24 horas com as máquinas "pronto-a-comer". Nas grandes superfícies fugimos das filas e fazemos o registo e o pagamento das compras na caixa-automática. Pão quente não é a mesma coisa que pão acabado de fazer, porque afinal é pré-congelado.

Mais um exemplo: a roupa. Pronto-a-vestir nem sempre significa pronto-a-servir.

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Por isso ainda subsistem as costureiras. Mas, em alternativa e para poupar algum dinheiro, há quem tire um curso básico de costura para fazer arranjos em casa.

Quase se podia dizer que as profissões de futuro passam sobretudo pela eletrónica e pela informática. Mesmo assim, é cada vez mais frequente ser mais cara a reparação do que a compra do equipamento novo. As máquinas também perdem peças, e, às vezes, deixam de precisar delas para funcionarem. Deixámos de precisar do contacto humano ou prescindimos dele facilmente. Ao contrário da máquina, não podemos substituir as pessoas nem tentar sempre criar novas relações. Ao pensar assim nas profissões, poderemos publicar o anúncio: "Precisa-se Humano".