Vou falar do mesmo assunto. E como já leram tanta coisa, poucos perderão tempo a ler este "testamento". Porém, achei que devia de ser escrito. Enquanto estudante de Jornalismo, tenho que falar. Não só por mim, pelo meu futuro, pela minha paz, mas por aqueles que foram injustiçados. Por aqueles que sofreram o tiroteio e não tiveram um segundo apenas para dizer "Ei, ouve o que tenho a dizer". Nenhuma palavra. A maioria decide realizar um minuto de silêncio. Mas eu acho que não é com um silêncio que se resolve esta situação, mas sim com um grito bem alto, um aperto de coração, uma fúria - a revolta daqueles que acreditam em algo melhor do mundo.

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Já publiquei hoje uma fotografia. Já exprimi o que sentia e já tentei ser ouvida. Não serviu de nada. Nada irá servir para deter este drama. Nada nem ninguém. Se permitimos que matem 12 dos nossos, humanos como nós, o que mais podemos dizer? Não mataram animais, não atacaram plantas, não destruíram árvores: mataram humanos, seres com corpo e pensamento. Eles eram pais que iam buscar os filhos à escola; pais que iam levar o filho ao treino de futsal; pais que iam jantar em família; eles eram filhos que iam visitar os pais ao fim-de-semana. Elas eram mães que lutavam para sustentar os filhos; elas eram filhas que iam almoçar com os pais. Eram pessoas. Iguais a todos nós, iguais a quem os matou. E nós também somos pessoas; somos filhos, somos irmãos, somos amigos, somos.

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Se somos tanto, não devemos ser lutadores? Por aquilo que é nosso - o direito à vida. Foi-nos dada esta oportunidade, por que haveremos de retirá-la a quem nada fez? Por trabalhar? Por criticar? Mas não temos o direito a julgar? Se julgamos a Casa dos Segredos, também somos culpados de fugir às regras que alguns decidem ser correctas? E se decidirmos que é correcto terminar com estes atos? Agir de tal forma que algo assim nunca mais acontecerá? E se decidirmos isso? Temos legitimidade? Ou será que não? Eu sei que não, sei que não somos ninguém para condenar, julgar, ou criticar - apenas podemos dizer a nossa opinião. E acreditem que com palavras muda-se muita coisa.

Que este acontecimento tenha servido para se abrir os olhos e as mentes! O extremismo, parece-me, atingiu o ponto máximo e pode ser que neste momento o mundo decida agir. Agir contra as injustiças. Todas. Não só contra os terroristas, não só contra os extremistas, mas sim contra tudo e todos aqueles que, seja qual for a motivação, magoam, maltratam, violam, atacam, insultam, prejudicam. Não sou contra nenhuma religião. Sou contra o terrorismo e o terrorismo não é nenhuma religião!!