O terrorismo internacional e de inspiração islamita voltou a atacar hoje, agora em França. A sede do jornal satírico Charlie Hebdo, conhecido pelo seu humor corrosivo e sem limites, foi dizimada por um comando de criminosos, vestidos de negro e invocando o profeta Maomé. O director e vários jornalistas e criativos do Charlie Hebdo foram os alvos, tendo os terroristas provocado 12 mortos no total - incluindo um polícia executado de forma bárbara e fria, já depois de ferido. À hora em que este artigo é publicado, a polícia anuncia a possibilidade da captura dos suspeitos estar próxima, preparando uma operação na cidade de Reims.


A agressão ao Charlie Hebdo é uma agressão aos valores em que as sociedades ocidentais estão fundadas. Por extensão, é uma agressão a todos nós. É mais um capítulo da guerra que é de todos nós, como já antes se falou aqui no Blasting News. E este é o momento, também, de cada um tomar a sua posição e a sua atitude. O Blasting News não pode ficar indiferente. Somos todos Charlie Hebdo. Vocês, meninos do estandarte negro, não passarão. Por cada um que matarem, levantam-se mil que não se calam.


No Observador, José Manuel Fernandes recordou hoje os casos da caricaturas dinamarquesas de Maomé, em que se criticou mais a provocação que a reacção desproporcionada; o assassinato do cineasta holandês Theo Van Gogh; e também a expulsão de Ayaan Hirsi Ali, a somali que cometeu apostasia e que foi forçada a trocar a Holanda pelos Estados Unidos, numa clamorosa derrota da liberdade de expressão. Esta é a frente de batalha mais importante, mais estruturante e mais essencial do nosso tempo.


O sr. David Munir, "xeque" como é conhecido entre nós, responsável da Comunidade Islâmica de Lisboa, esteve na RTP, mais uma vez, fazendo o seu necessário e obrigatório papel: lembrando a todos que a liberdade de religião e de consciência é um valor fundamental, que essa liberdade que existe no Ocidente que permite aos muçulmanos praticar pacificamente a sua fé, e que os muçulmanos repudiam e rejeitam actos bárbaros e criminosos como o de hoje. Por toda a Europa, a maioria de muçulmanos moderados é a primeira a erguer a sua voz contra isto. Sabem que serão eles as primeiras vítimas da contra-resposta islamofóbica que também cresce, como se viu esta semana na Alemanha. E sabem também que terão o nosso apoio, porque a luta deles é a nossa: uma sociedade pacífica, baseada na tolerância e na liberdade de culto, de pensamento e de expressão.