Há pouco tempo conheci um funcionário público que foi despedido aos 50 e poucos anos e decidiu pedir à Segurança Social o total do subsídio de desemprego para investir num negócio próprio. Comprou um táxi e mudou de vida. Este homem construiu uma ponte com as pedras do caminho. Outros, nas mesmas circunstâncias, tropeçam nelas.

As alternativas existem e, não minimizando o descalabro das medidas que nos estão a dar cabo da vida, constituem formas válidas de ultrapassar a questão e erguer a cabeça. Entregar nas mãos do governo a nossa vida não me parece a melhor decisão. O tempo do Estado-protector está em risco. Não se sabe que facção vai vencer, se aquela que o defende se aquela que o pretende aniquilar, mas uma coisa é certa, nós estamos no meio e, ou encontramos alternativas, ou nos deixamos afundar.

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Presos num corpo com necessidades biológicas e fisiológicas, as carências aproximam-nos dos animais e afastam-nos da nossa humanidade. Mas também podem servir de trampolim para ela. Não é fácil. Mas podem. Mais importante do que o que nos acontece, é a forma como reagimos ao que nos acontece. E enquanto nos deixarmos paralisar por estímulos exteriores, estaremos incapacitados para uma introspecção imprescindível à libertação e ao crescimento. Estaremos sujeitos à manipulação.

As condições e as técnicas cada vez mais subtis que se criam para levar as massas a fazer não o que elas pensam ou querem, mas o que elas pensam que querem, são fundamentais para o destino de qualquer povo. A quantidade de informação, por vezes contraditória, nem chega a baralhar porque cansa. Cansa e desanima como se o universo tivesse estagnado na negatividade.

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Sempre que me deixo envolver nas notícias, deprimo-me, entristeço, não vejo saídas ou deixo de acreditar, não na vida, não em mim, mas em tudo isto. Assolada pela consciência da morte e da inevitável finitude, tendo a não dar importância a nada e a achar que estou rodeada de loucos que não sabem o que andam por cá a fazer.

Estamos no século XXI e não se avizinham grandes melhorias a nível da construção da felicidade humana. Numa grande parte do planeta mata-se, tortura-se, acusa-se e condena-se. Continuamos a exercer a nossa animalidade apregoando a religiosidade como se ela fosse uma lei! A religiosidade é, deve ser, uma prática cuja base teórica se encontra dentro de cada um de nós. Daí que o processo passe por auscultarmos os nossos corações e limparmos os nossos cérebros.

Todas as iniciativas que realmente importam começam por ser individuais. Se Mandela não tivesse sido quem foi, a África do Sul nunca teria mudado. Se Ghandi não tivesse existido, nada teria acontecido na Índia.

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Um só homem ditou toda uma era! A Jesus devemos o facto de dizermos que estamos em 2015!

Sempre que nos envolvemos em iniciativas massivas estamos a ser manipulados e a afastarmo-nos de quem somos e daquilo que podemos, individualmente, fazer. Os animadores das massas alimentam-se delas. No momento em que a massa se dispersar, o alimento vai-se. Eu gostaria de saber o que aconteceria num mundo em que não houvesse ninguém para protestar, para combater, para gritar palavras inventadas por outros.

O que é que aconteceria se cada um de nós decidisse ser feliz? Se cada um de nós decidisse construir pontes com as pedras que se atravessam no caminho? O que é que aconteceria se cada um de nós decidisse ser livre?! E se cada um de nós perdesse o medo?

Desejo-lhe um 2015 cheio de saúde, força, coragem, ideias e alternativas. Desejo-lhe a serenidade que precisa para se conhecer, para se interrogar, para SER. Desejo-lhe amor, saúde e prosperidade. Mas desejo sobretudo que compreenda que o papel que desempenha na sua vida é o papel principal. Que é de si que a sua vida depende. Lembre-se que mesmo quando não escolhe está a escolher e que, portanto, a sua vida é sempre da sua inteira responsabilidade. Cada um tem o que merece. Procure dar a si mesmo, ou a si mesma, o melhor. #AnoNovo2016