A revista norte americana Forbes distinguiu Vhils entre três jovens portugueses de sucesso com uma idade inferior a 30 anos. Um nome para muitos desconhecidos embora tenham sido mencionados dois dos seus mais recentes trabalhos. A "Dissecação", que esteve patente em Lisboa, no Museu da Electricidade, atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses. Vhils fez ainda um vídeo para a banda irlandesa U2 para a canção intitulada Raised by wolves, incluída em Songs Of Innocence. Filmado nas instalações da Lisnave, em Cacilhas, neste reconhecem-se técnicas que Alexandre Farto já tinha utilizado nos vídeos para os portugueses Buraka Som Sistema e Orelha Negra.

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Importa recuar e falar um pouco das suas origens e influências deste jovem.

Alexandre Farto, de 27 anos, mais conhecido por Vhils, cresceu no Seixal apesar de ter nascido em Lisboa em 1987, aos 10 anos interessou-se pelo graffiti e aos 13 anos foi para as ruas pintar paredes e comboios, sozinho ou em grupo. Para ele os grafites são tudo. É a sua base profissional. Rapidamente largou os sprays. Começou a experimentar o stencil, um material que se vê através dele e não perdura, e passou para os outdoor e posters, mas não contente vai explorar outras ferramentas e processos como produtos de limpeza, lixívia, ácidos corrosivos, café ou até mesmo explosivos e martelos pneumáticos para conferir texturas diferentes à escultura.

O que pensa Vhils? Os edifícios devolutos que não são usados em Lisboa incomodam-no e decide, por isso, usá-los no intuito de chamar a atenção para esse problema.

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Por incrível que pareça, sabia que este profissional não teve média para entrar na faculdade de Belas Artes? O curioso é que o mesmo seria aceite pelo seu portefólio na Central Saint Martins College of Art and Design, em Londres, e dois anos mais tarde faria um bacharelato em Art Skills and Practices. Foi a rampa de lançamento para o reconhecimento mundial.

Existem tantos outros artistas portugueses que também mostram os seus trabalhos por Paris e Los Angeles. Aqui muitos deviam questionar-se sobre o porquê de só serem valorizados os currículos internacionais em detrimento do percurso académico e profissional em solo nacional. Não é uma crítica, apenas uma constatação da realidade. Nada retira o mérito a Vhils ou aos demais. Limitaram-se a fazer o que tantos outros fizeram, no passado, deixando a sua pátria em busca de melhores condições e dos seus sonhos. Os seus trabalhos estão espalhados pelos mais diversos países e cidades do mundo como Londres, Moscovo, Nova Iorque, Los Angeles, Grottaglie, Bogotá, Medellín e Cali. #Curiosidades