Sempre apoiei as greves, todas elas, independentemente do setor. Aliás, sempre considerei a greve mais útil do que as manifestações, porque apesar de concordar com elas, não acredito que tenham o mesmo impacto. Uma manifestação, por muito que seja uma forma de a sociedade mostrar a revolta e a discordância com o que a rodeia, não traz problemas ao dia-a-dia de um governante, empresa ou instituição. Talvez seja aborrecido, vá. Estar a trabalhar e a ouvir aquela gritaria e os slogans sociais do costume é "chato".

Mas uma greve, essa sim, mexe com muita coisa. E, acima de tudo, mexe com a economia, algo que para uma sociedade consumista e quase gananciosa é efetivamente grave.

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Não é agradável ter à janela a paisagem de milhares de pessoas a gritar, a discutir e a impor as suas ideias. Mas menos agradável é ver a conta bancária estagnada ou até a descer. Ver os clientes irritados, desiludidos, a irem embora para não mais voltar. Situações destas já dão que pensar. Assim como os governantes, que vendo o país estagnado - e principalmente quando as eleições estão a aproximar-se - dão, de imediato, outra importância ao assunto. Aliás, até se disponibilizam a falar com os sindicatos e a negociar as propostas que cada um tem para oferecer.

Este é o tipo de manifestação que eu apoio. Ou apoiava, porque, como diz o ditado, "o que é demais é moléstia". E quando se repete a mesma proeza, esta deixa de o ser. É descredibilizada, censurada e cansativa. Já não traz impacto. Pode continuar a mexer com a economia, é óbvio, mas os governantes e o patronato já não têm mais nada a dizer ou fazer.

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Ou até têm, mas não querem ou não podem. E aí é apenas a sociedade que é prejudicada. E não nos podemos esquecer que a economia do país - que está numa fase bem crítica - é também a nossa economia.

Devemos manifestar-nos e mostrar a nossa revolta, sim. Não podemos calar-nos perante injustiças. Mas, acima de tudo, devemos apostar na credibilidade da nossa voz. Devemos ter o bom senso necessário para dizermos a nós mesmos: Basta! #Governo