Num artigo anterior ficou evidente a existência de relações entre política e economia. Gostaria de ilustrar que, indo além dessa relação, existe uma interferência de tudo isto no #Ambiente. Como já dizia Ignacy Sachs há algumas décadas, não existe "economia" separada do ambiente em que ela se encontra. A essa afirmação acrescento a inseparabilidade da política. Vejamos o caso do Brasil.

Comecemos com as últimas notícias da economia e a política e meio ambiente do país...

A economia preocupa devido às safras agrícolas. O exemplo vem da exportação do setor do açúcar e do álcool, cujas comodities compõem o terceiro maior grupo de produtos exportado pelo agronegócio do Brasil, que teve um recuo de 24,4% em relação ao ano anterior.

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Importante ressaltar que o PIB brasileiro tem uma grande dívida com o setor agrícola. Nas últimas décadas, aproximadamente um em cada 4 reais movimentados pela economia do país esteve relacionado com o setor.

No campo da política, Aldo Rebelo substitui Clelio Campolina Diniz (o ex-reitor da Universidade Federal de Minas Gerais) e é o novo Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). E na área do meio ambiente, comecemos com um recorde: o da temperatura. Em 2014 o mundo conquistou o "título" de ano mais quente desde 1891. E foi difícil bater os anos de 1998, 2005 e 2010 (que contaram com a ajuda do "El Niño" para aumentar as temperaturas). Poderíamos contar com a redução do desmatamento da Floresta Amazônica como alívio, mas existem dúvidas quanto à manutenção da redução desde 2013.

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Ok, mas qual a ligação disso com o meio-ambiente?

A relação do ambiente com a política é interessante neste caso: é o ministro Aldo Rebelo quem supervisiona diversas avaliações nacionais de relatórios climáticos das Nações Unidas. Segundo a revista Nature, em julho passado ele tratou da ideia do aquecimento global como algo incompatível com o nível de conhecimento atual. Aldo Rebelo têm papel de liderança na bancada ruralista e comandava o Ministério dos Esportes. O cenário é negativo, pois ele já foi acusado de ceder ao lobby da bancada ruralista em 2011, quando sugeriu a votação de reforma do Código Florestal. Essa reforma permitiria que Áreas de Preservação Permanente fosse cultiváveis e diminuiria a necessidade de conservação em margens de rios, além de isentar de multas aqueles que desmatassem e de permitir o cultivo em cumes de morros.

Já a conexão disso com a economia é mais fácil de se "sentir" tanto na pele, quanto na nas contas: a região sudeste do Brasil passa por uma das maiores crises hidráulicas já registradas na história.

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Não somente para os paulistanos, mas essa crise atingiu também a principal região produtora de cana-de-açúcar do país. O Brasil é responsável por mais de 50% da exportação mundial de açúcar e o setor sucroalcooleiro constutui a terceira maior fatia das exportações do agronegócio. As exportações do agronegócio caíram 3,2%, mas o setor ilustrou uma redução de 24% devido à estiagem.

Por fim, o que esperar disso?

Bem, talvez as pessoas acordem e tudo isso seja apenas um pesadelo. Que esse é o caso do Brasil, e que nos outros lugares isso não será um problema tão grande. É só continuar a acreditar que política e economia nunca irão interferir no meio ambiente... Mas em caso contrário, pode-se esperar algo também: mais mudanças climáticas, menos relevância dada pelos políticos, e impactos cada vez mais severos e frequentes nas vidas das pessoas e dos países.