Trata-se de uma medida que "oferece a experiência de formação prática num contexto de trabalho, promovendo ao mesmo tempo a inserção profissional da pessoa que beneficia deste programa", isto é o que se pode ler no sítio da Internet do Instituto do Emprego e da Formação Profissional. Ora esta premissa raramente é cumprida por diversos factores. A saber: a pessoa "contratada" não cumpriu o seu dever, pois não se adaptou ou não foi profissional nos 9 meses que esteve em funções. Curiosamente é a desculpa mais utilizada pelas entidades patronais que ofendem assim, de forma também ela gratuita, quem esteve a trabalhar requisitando logo a seguir outro estagiário para cumprir as mesmas funções do seu "anterior colega".

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Fazendo assim a entidade "rodar" estagiários e profissionais já com alguns anos a troco de 100, 200 ou 300 euros no máximo, juntando a isto a percentagem de 50 a 80% desse ordenado mensal co-participado pelo IEFP.

Trata-se assim de uma galinha de ovos de ouro dada pelo Estado português, patrocinada pelo #Governo que está em exercício, no qual a maioria de nós votou. É uma falta de respeito e de civismo. Mas vamos falar um pouco das justificações. Depois também há a desculpa de que a entidade não tem dinheiro para fazer um contrato, seja a termo ou não, com o profissional que acabou de fazer estágio e depois essa mesma entidade ou empresa volta ao tal ciclo vicioso de ir buscar um novo "estagiário".

Há ainda outro factor a ter em conta, dada a "crise que várias empresas e entidades estão a passar" (umas verdadeira, outras nem por isso!) justificam-se ou escondem-se atrás deste estratagema que é o estágio profissional para encostar quem quer e precisa de trabalhar, porque de outra forma não consegue…e depois não pagam o que está acordado no contrato de estágio profissional.

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Ou seja, a empresa paga pouco e ainda fica com o dinheiro vindo do IEFP, que na maior parte dos casos chega a ser mais de metade do ordenado mensal do profissional. O IEFP só se preocupa se os descontos estão efectivamente a serem feitos e não se o dinheiro chega às contas bancárias dos beneficiários. Em suma, o controlo e fiscalidade devem vir de cima. O profissional pode-se queixar à vontade mas o centro de emprego pouco ou nada pode fazer porque diz que não tem profissionais em bom número para o fazer. Por outras palavras, o Estado (nós!) é roubado e pratica a religião do "deixa andar!"

Se o problema começa também em cima, acho que vale a pena mudar as regras do jogo para que o estado também não entre no jogo de se enganar a si próprio mas também aquele que o sustenta! Os estágios profissionais são assim uma forma de maquilhar de forma descarada e desprezível os números da empregabilidade e do desemprego em Portugal. Vivemos num país em que ser ladrão "é fofinho"! Isto faz-me pensar que o 25 de Abril, e com todo o respeito por quem o fez e participou, foi uma treta.

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Portugal é um gigante adormecido, sem chama, sem garra, sem mentalidade. Os portugueses estão moribundos e agarrados a esta coisa que é a crise. Se querem mais e melhores condições do que só levar ordenados dos mais baixos que há, devem sair à rua e lutar, mas dizem não, não basta. Há que lutar, votar em branco por exemplo, bater o pé porque não é em pseudo-movimentos de Facebook que vamos lá. O ordenado mínimo nacional é uma anedota, e ninguém faz nada? Há anos que é assim!

O Estado, para mim, não tem que sustentar isto tudo. Até defendo que deve ser a última almofada para todos nós porque somos nós o Estado. E não para tudo, principalmente para empresas privadas ou bancos, por exemplo, que são geridos de forma duvidosa… Enfim, tudo isto existe e tudo isto é o nosso fado. Acorda Portugal, do que estás à espera? #Desemprego