Vi metade da minha geração a abandonar este país, mas decidi ficar. Resistir às tentações de uma vida melhor, de um emprego melhor, de uma oportunidade que não existe aqui. Decidi defender este país que poucas vezes me defende. Estudo turismo porque sei que este jardim à beira mar plantado ainda tem muito que oferecer. Defendo-o perante milhares de vozes que o criticam, porque é meu e porque tem coisas boas. Mas se este é um país que nega a uma criança o direito de ter uma família, desculpa Portugal, mas não quero viver mais aqui.

Este país é a minha pátria e - apesar de tudo que possam dizer- sempre me orgulhei de ter nascido aqui.

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Mas não agora. Este país não me deu muitas coisas, não me deu um emprego no final da licenciatura, não me deu um bom serviço de saúde quando fiquei doente, não me deu apoios para estudar. Mas durante esse tempo todo tive os meus pais ao meu lado. E eles são tão maravilhosos que podia ter dois pais, que podia ter duas mães e continuava a ser feliz.

Nós amamos os nossos pais por aquilo que eles são, não por usarem saltos altos ou gravata. Uma #Família é sinónimo de amor, companheirismo e apoio. E nem só um casal heterossexual é capaz de dar esse afecto. A verdade é que nem todos os casais homossexuais têm condições para criar uma criança, assim como nem todos os casais heterossexuais têm capacidades para isso. Mas afinal que país é este? Que enche o peito do orgulho por ter consagrado na lei que todos os cidadãos são iguais perante a lei, mas discrimina os casais homossexuais não os deixando criar uma criança? Que país é este onde os dirigentes políticos consideram que uma criança é mais feliz passando as noites de Natal numa instituição do que com pais que a podem fazer feliz? Pois é meus caros, vocês nasceram todos em berços de ouro e não sabem o que é crescer numa instituição, vocês esqueceram-se que todas as crianças a quem um casal homossexual quer dar uma casa, foram, um dia, abandonadas por um casal heterossexual, que lhe deu a vida e não deu mais nada.

Se neste país não há igualdade, se neste país o interesse da criança não está em primeiro lugar e interessa mais o género que o amor, bem, nesse caso, eu desisto deste país.

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Este país não é para mim, este país não é a minha pátria.