Uma vez mais, uma notícia sobre as perspectivas de emprego em #Turismo. Desta vez, fontes económicas acreditam que até 2025 a empregabilidade irá aumentar em 20%, gerando mais 160 mil postos de trabalho. Infelizmente (para os formados superiores na área) apenas cerca de 50% dessas vagas serão ocupadas por Técnicos Superiores Especializados. Fontes de recrutamento afirmam ainda que este será um ano fundamental para o avanço do sector, mas que o mesmo se encontra com dificuldades em recrutar profissionais qualificados, indicando ainda que as entidades de ensino não formam de forma adequada os futuros profissionais. Depois desta breve abordagem, questiono-me e questiono todos os Técnicos de Turismo se é mesmo essa a realidade.

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No meu ponto de vista: sim e não.

O Turismo em Portugal, e não só (infelizmente) funciona como um sector sazonal, em que existe um ciclo de recrutamento excessivo (Abril a Setembro) e outro ciclo em que o recrutamento é quase nenhum (Outubro a Março). Ou seja, durante o ano existem 5 meses com várias ofertas e nos outros 7 meses os profissionais ficam sem emprego. Assim, como é possível obter a experiência que tantas empresas procuram? Mais ainda quando sabemos que muitos dos contratados nesses 5 meses nem sequer detêm formação na área, vindo de outras áreas como as linguísticas, gestão de empresas ou economia.

Hoje, e por experiência própria, apesar de ter formação em Turismo e já alguma experiência em vários sectores do mesmo, deparo-me com anúncios em que é pedida experiência de 3 anos (no mínimo).

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Mas muitas entidades de ensino nem fornecem estágio curricular, sendo que para o obtermos teremos que trabalhar durante 3 a 6 meses sem qualquer rendimento salarial, e nos meses de época alta. As empresas ao "adquirirem" estes estagiários não irão contratar nenhum técnico e pagar salário, e quando o fazem é, uma vez mais, através de estágio profissional promovido pelo IEFP (cerca de 9 a 12 meses). Fazendo as contas, isto dá-nos no máximo 1 ano e meio de experiência. Assim sendo, torna-se complicado recrutar um qualificado com a "tal" experiência de 3 anos.

Anteriormente fiz uma questão aos meus colegas da área. Desta vez, coloco questões às empresas que pretendem no mínimo os 3 anos de experiência. Como podemos nós (profissionais qualificados) deter essa experiência, se são as próprias que não estão dispostas a fornecê-la, a dar-nos a oportunidade de mostrarmos o que valemos e como podemos contribuir para um turismo de qualidade e excelência? Será que um Técnico de Turismo com 15 anos de experiência é melhor profissional e mais competente que alguém que apenas tenha 1 ano e 6 meses? Até pode ser, mas um dia esse mesmo profissional irá deixar o mercado de trabalho, e quem ocupará o lugar deixados por ele? Um qualificado sem experiência, ou irão recrutar alguém de outra área?

A nível pessoal, sentindo-me um pouco injustiçado e falando também por alguns colegas profissionais da área, será que vamos ter hipóteses de mostrar os nossos conhecimentos e o nosso trabalho para que o Turismo em Portugal seja de qualidade e excelência? Quantas das vagas que os recrutadores tanto falam serão ocupadas por nós?

Aqui fica um desabafo e espero que chegue a quem devido, e ao chegar que pelo menos reflictam um pouco no que um "mero" profissional pensa da situação em que nos encontramos.

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Depois de reflectirem, em vez de colocarem um anúncio de emprego em que pedem, nos requisitos principais, "mínimo de 3 anos de experiência", dêem uma oportunidade a alguém que não a detém e que já realizou todos os estágios "patrocinados e gratuitos". Se não encontrarem esses profissionais podem, aí sim, afirmar que é difícil encontrar qualificados em Turismo!