Cristiano Ronaldo venceu ontem a sua terceira Bola de Ouro. É a primeira vez que um futebolista português vence três Bolas de Ouro, e a primeira vez que um português vence duas consecutivas. Cristiano está a caminho, quem sabe, de se tornar o melhor futebolista português de todos os tempos, uma classificação que permanecerá sempre subjectiva, dado ser difícil a comparação, com tantas décadas de diferença, com Eusébio. No discurso de agradecimento, Ronaldo lançou o seu próximo desafio: igualar o estatuto de jogador com mais Bolas de Ouro, pertença de Leonel Messi.


Ronaldo e Messi vêm, pelos dois, dividindo as Bolas de Ouro desde 2008. É uma situação inédita no historial deste prémio, mesmo tendo em conta a antiga divisão entre o prémio da FIFA e o da revista francesa France Football. Houve vários jogadores que dominaram alguns períodos no pico das respectivas carreiras, como Di Stéfano, Cruyff ou Platini. Mas Ronaldo e Messi são praticamente inquestionáveis desde há demasiado tempo. A estatística diria que Ronaldo, depois de vencer uma Bola de Ouro, não voltaria a consegui-lo depois das quatro consecutivas do mágico argentino, mas o madeirense está aí para contradizer os números. 


Esta dupla de génios faz já lembrar Senna e Prost. São intermináveis os debates sobre qual dos dois seria o melhor piloto de Fórmula 1. O francês e o brasileiro terminaram precisamente com este resultado: 4 títulos mundiais de F1 para Prost e 3 para Senna. Entre 1985 e 1993 (durante 9 temporadas), só por duas vezes o duo deixou espaço a outros pilotos para vencer o campeonato. Ronaldo e Messi estão lançados para superar este registo. Quando Prost venceu o seu quarto título, em 1993, reformou-se por "limite de idade" - já contava 38 anos. À data, Senna tinha 33 e estava num patamar desportivo muito próximo da perfeição, tendo ainda vários anos pela frente para alcançar e superar o francês. Mas o destino impediu-o de o fazer, logo em 1994.


Ronaldo e Messi têm a seu favor o facto de serem mais novos. Cristiano tem uma desvantagem: é mais velho, vai celebrar 30 anos no próximo mês de Fevereiro. Está próximo o momento em que poderá perder o seu fabuloso sprint, o arranque que deixa os adversários colados ao chão, como sucedeu com Luís Figo. Conseguir prolongar o poder de sprint para além dos 30, ou continuar a ser o melhor do mundo sem o sprint, será o seu grande desafio. Já Messi luta ainda para descobrir o que fez com que tenha passado de um jogador "de outro planeta" a um jogador "apenas" de altíssima qualidade. Os médicos não conseguiram descobrir uma razão para os seus vómitos e enjoos dentro de campo, e o mau ambiente que se vive em Barcelona não estará a ajudar. Mas Messi tem apenas 27 anos (vai fazer 28 anos em Junho), o que significa que tem mais tempo para recuperar e dar a volta. Até onde chegarão estes dois "monstros sagrados" do futebol? E qual deles vencerá, no final?