Antes de começar este artigo peço, desde já, desculpa por todos os que afete direta ou indiretamente pela minha sinceridade mas, de facto, vou ser Charlie. O atentado ao jornal Charlie Hebdo, em França, foi de facto assustador. Foi uma perda mundial. Uma perda de à vontade, de legitimidade, de liberdade e de segurança. Felizmente, as autoridades francesas agarraram este caso com o máximo afinco e conseguiram abater os autores dos disparos que causaram doze vítimas mortais na redação do jornal. Mas será que todos os que afirmam "Je suis Charlie" o são realmente?

Bem, parece-me, de forma nítida, que não. Pelo país e pelo mundo correm imagens de redações inteiras mostrando "o Charlie que vive dentro de si".

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De facto sinto-me triste comigo mesmo por não conhecer, até ao acontecer desta terrível tragédia, todos os Charlies que existem em Portugal. Jornalistas portugueses, também são Charlie? A sério? Vocês que não são capazes de enfrentar quem governa este país e são capazes de omitir a verdade por medo dos vossos governantes?

É por mera solidariedade com os colegas franceses que afirmam "Je suis Charlie"? É para se sentirem nas bocas do Mundo? Ou é apenas para mero entretenimento dos telespectadores? É que essa expressão, quando dita por todos os jornalistas deste ou de qualquer outro país, só pode ser explicada de acordo com estes três parâmetros, caso contrário não será dita sinceramente.

Felizmente ainda há alguns que realmente são Charlie Hebdo. São os que, sem medo, dizem a verdade, são os que constatam os factos da maneira realista, são os corajosos que ultrapassam aquela barreira do "eu faço o que me mandam dentro de todos os limites a que sou imposto".

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Liberdade de expressão? Sim, ela existe. Mas porque tanto se queixam da violação dela se nem sempre lhe dão o devido uso?

Portugal é um país no fundo: no fundo do mundo, no fundo da Europa, no fundo da cultura, no fundo dos avanços que vemos pelo mundo fora. E neste país, só os verdadeiros Charlies marcarão a diferença.