Os factos são do conhecimento de todos. No passado dia 7 de Janeiro, a redacção do jornal Charlie Hebdo foi tomada de assalto, vitimando 12 pessoas e ferindo outras 11. Polícias, jornalistas e outros funcionários do jornal foram abatidos a sangue frio, presumivelmente por dois irmãos, entretanto mortos pela polícia francesa. As notícias deste atentado rapidamente correram o Mundo e puseram toda a gente a comentar o sucedido. As redes sociais e as ruas encheram-se de pessoas a dizer "Somos todos Charlie" numa ode à liberdade de expressão, até que em Portugal houve alguém que ousou ter uma opinião diferente da maioria e de repente toda a gente se esqueceu do que havia dito ainda há segundos sobre a importância da liberdade de expressão.

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Esse alguém foi Gustavo Santos. Gustavo disse na sua página do Facebook qualquer coisa deste género: liberdade de expressão é uma coisa, desrespeito pelas crenças dos outros é outra. Que uns sejam apanhados e punidos e que outros aprendam alguma coisa com tudo isto. Foi o bastante para desencadear um rol de insultos ao apresentador que ainda hoje dura. À parte de eu não ver nada de condenável nesta opinião. Não aplaude o crime, não incita ao ódio, não é agressiva ou violenta. É apenas mais uma entre milhares, provavelmente de alguém que não aprecia a sátira. O que realmente me perturba é ver os senhores defensores da liberdade de expressão julgar em praça pública alguém que teve uma opinião diferente. Meus senhores, acham que por disparem impropérios em vez de tiros são mais respeitadores da liberdade de expressão do que os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi? Desenganem-se meus caros.

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São tão maus ou piores que eles. E antes que apontem as vossas palavras a mim, não, não aprovo o que se passou na passada quarta-feira. Arrepia-me tanto ou mais do que a vocês a frieza com que aqueles dois homens mataram uma série de pessoas. Sou contra a morte em qualquer circunstância. Mas também sou contra a violação dos direitos fundamentais, entre eles a liberdade de expressão e incomoda-me profundamente a hipocrisia em que caímos. Monstros os que mataram os cartoonistas do Charlie Hebdo. Santos, nós, que condenamos o Gustavo por pensar diferente.