TGV custou 153 milhões. Este seria um óptimo título para uma notícia muito proveitosa para Portugal, mas é claro que não é possível ter um TGV operacional com este valor. Certo é que o título da notícia e os contornos não são bem estes. O título é "TGV que não saiu do papel custou 153 milhões de euros". Milhões que saíram dos cofres do Estado para a realização de um projecto sem que se tenha feito nada, nem 5 metros de linha. Cerca de 80% deste valor foi gasto em estudos durante mais de uma década.

Todos os projectos necessitam de estudos, uns mais do que os outros. No entanto, os estudos são cruciais para o desenvolvimento adequado das estruturas. A funcionalidade e eficácia dependem muito da realização de estudos preliminares. É extremamente importante situar a realização destes estudos no tempo. É certo que os estudos foram realizados antes do projecto ir para o terreno, e de acordo com os princípios da construção. O que é de extrema irresponsabilidade e desrespeito pelo dinheiro do povo português é despender tão elevada quantia em estudos realizados antes da decisão de avançar com o projecto.

Projectos desta envergadura não podem ser repartidos por fases. É necessário que os estudos prévios, elaboração do projecto, execução e acompanhamento sejam abrangidos como um todo desde o início. Não podemos dar um passo em frente se não sabemos onde estamos, já que podemos estar em frente a um precipício. Só após existir um valor global e uma decisão definitiva quanto ao avanço do projecto, é que deve ser dado início aos trabalhos, quer estes sejam estudos, expropriações ou outros.

O TGV foi um projecto que fez correr muita tinta em relação à vantagem da sua execução e aos benefícios para o país e para a Europa. Por fim foi tomada uma decisão de não avançar e esta foi uma decisão tardia. Alguns anos depois ainda ouvimos falar de algo que foi considerado enterrado, e acredito que não será a última vez que iremos ouvir falar do TGV. Certamente que o troço da linha Poceirão-Caia, que foi adjudicado, irá trazer mais alguns encargos financeiros aos bolsos do Estado.