A exposição pública "a magnífica e formosa torre", inserida nas comemorações dos 500 anos da Torre de Belém, cuja inauguração se realizou em finais do mês de Novembro, contou com a presença da Vereadora da Cultura do Município Lisbonense Catarina Vaz Pinto. A iniciativa ganhou forma quando, em 2014, a Direção Geral do Património Cultural se decidiu pela realização de ações, que de alguma forma, marcassem esta data histórica, e despertassem a atenção do público, através de concertos e exposições. Portugal tem muitos monumentos, mas hoje escrevo sobre um específico, situado na capital e que perdura no tempo. Esta estrutura, com uma localização estratégica junto ao Rio Tejo teve um papel fundamental em termos defensivos.

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Este monumento, considerado património nacional de caráter emblemático e mítico, consta do ranking dos mais procurados do nosso país, com 242 mil visitantes e consta do roteiro não só de todos os estrangeiros que visitam Portugal, mas também dos próprios portugueses.

Em termos históricos, Lisboa era, no século XV um importante centro cosmopolita, porto obrigatório das rotas de comércio internacional. A preocupação de defender o acesso à cidade de Lisboa já vinha de tempos remotos, e foi D. João I quem procurou fortificar os portos de Lisboa e Setúbal, a partir das barras do Tejo e Sado. Contudo, é D. João II quem vai projetar e construir uma fortaleza defensiva para salvaguardar a entrada da barra do Tejo, um projeto que só no reinado seguinte se concretizou. A Torre de Belém, cujo nome original é Torre de S.

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Vicente (santo protetor de Lisboa), foi mandada construir por D. Manuel I entre 1514-1520, segundo desenho do arquiteto militar Francisco de Arruda, tendo em conta não só o atributo defensivo, como o enquadramento desta num programa de caráter monumental na área de Belém, que incluía o Mosteiro dos Jerónimos, a Ermida de S. Jerónimo e outras construções ligadas à navegação, como armazéns e instalações militares. Foi uma obra pioneira da arquitetura militar no nosso país, onde se utilizou um baluarte de forma poligonal, que correspondia às mais recentes inovações da 'tratadística' militar, aliando o caráter defensivo e de vigia à estética e elegância das formas e decorações exuberantes.

A originalidade desta Torre reside na sua estrutura, implantação e planimetria. A sua altura é de cerca de 30 metros e está implantada no leito do Rio Tejo. O excesso de decoração não parece estar de acordo com os fins para que foi construída, daí ela constituir um exemplar único na arquitetura militar mundial.

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Constituída por duas partes, Baluarte e Torre, a sua decoração é essencialmente de motivos manuelinos, esferas armilares, cruzes de Cristo, cordas, algas e escudos reais, que lhe conferem grande beleza. Do sistema defensivo da barra do Tejo faziam parte a Torre de Belém e a Torre de Cascais de um lado e a Torre Velha na outra margem do rio. A Torre revela-se mais eficaz na defesa dos ataques de navios não muito grandes, situados junto à margem, devido à maior parte da artilharia se localizar nas fachadas Este e Oeste. #Turismo #História