Desapareceram na Praia Grande de Sintra 5 pescadores, e há apenas um sobrevivente da embarcação. Até ao momento, a Polícia Marítima recolheu as redes que vieram dar à costa, mas não têm mais pistas. Estes dramas ocorrem um pouco por todo o lado; há alguns meses atrás, num naufrágio da traineira "Mar Nosso", perderam a vida Manuel Carinha, 54 anos, e Francisco Santos, 45, deixando para trás as viúvas Alexandrina Carinha e Guida Santos. As histórias repetem-se a um ritmo preocupante; o mar dá e tira! Dá aos pescadores aquilo que precisam para sobreviverem e a seguir rouba-lhes a vida!

É um fado que está no ADN destes homens.

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A vida deles é uma espécie de roleta russa: "Vou ao mar 100 vezes e saio incólume, e numa das idas perco a vida perante esse gigante da natureza!" Lidar com esta realidade, diariamente e sem sabermos se amanhã cá estaremos, provoca nos pescadores e familiares um stress constante. Este é apenas um pequeno exemplo, entre muitos que vão atingindo os homens do mar. Convém recordar que a Póvoa de Varzim e Vila do Conde são duas comunidades piscatórias das mais atingidas pelos naufrágios. De forma regular os noticiários falam e escrevem sobre os dramas do mar. As causas estão quase sempre associadas ao mau tempo, forte agitação marítima, à intensidade de chuva e ao nevoeiro frequente. Esta gente simples e trabalhadora continua à espera que os executivos dos gabinetes (a quem cabe tomarem decisões) venham dar um "passeio" de traineira para poderem melhor avaliar as necessidades e as condições de trabalho, contribuindo, desta forma, para um futuro mais seguro e promissor dos pescadores.

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"Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!

É bom não esquecer que o nosso mar tem uma posição estratégica invejável. Serve de ponte entre três continentes: Europa, África e América. A sua importância tem impacto na Defesa e Economia. Quanto à primeira interessa, naturalmente, à União Europeia e o nosso contributo é precioso e útil; quanto à segunda tem sido referenciado como um "mar de oportunidades", quer pelo Presidente da República Cavaco Silva, quer pela ministra do Mar Assunção Cristas, que ainda recentemente esteve na China para captar investidores. Desde sempre, os portugueses tiveram uma ligação muito estreita com o mar, quer através das viagens que nasceram na Escola Náutica de Sagres através do seu criador, o Infante D. Henrique, quer pela poesia. Fernando Pessoa, figura incontornável, disse a propósito: "Ó Mar salgado, quanto do teu sal/São lágrimas de Portugal!/ Por te cruzarmos, quantas mães choraram,/Quantos filhos em vão rezaram!/Quantos noivos ficaram por casar/Para que fosses nosso, ó mar! #Negócios